alongar ou aquecer

Alongar ou aquecer?

por • 13 de outubro de 2015 • TreinamentoComentários (0)1638

Alongar ou aquecer? Que as duas ações fazem parte da rotina de um atleta todos sabem. Mas em qual momento elas são mais adequadas?


Por Rafael Oliveira
| Jornalismo Júnior

A melhora de desempenho e a tentativa de se manter longe de lesões permeiam a rotina de qualquer praticante de atividade física, desde o esportista profissional até aquele sujeito de meia idade que só quer manter a forma – passando, é claro, pelo atleta universitário. No imaginário e no dia a dia de cada um que deseja cumprir esses objetivos, duas práticas emergem quase automaticamente: aquecimento e alongamento. Distintos e substancialmente importantes, ambos podem ajudar – direta ou indiretamente – tanto a reduzir a incidência de lesões como a melhorar o rendimento esportivo.

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Crédito: Victor Matioli

Sobre as diferenças, os benefícios e os mitos acerca dessas duas práticas, a Revista BEAT consultou a professora de corrida do CEPEUSP e especialista em treinamento desportivo Paula Lavieri e o professor doutor Bruno Gualano, do Departamento de Biodinâmica do Movimento Humano da Escola de Educação Física e Esporte da USP, onde ambos se graduaram em 2006.

Um ponto de partida para compreender melhor o alongamento e o aquecimento é entender as suas diferenças. Gualano é enfático ao dizer que são “exercícios distintos”. Enquanto o alongamento é “um exercício que promove a elasticidade do músculo e é feito pra aumentar a capacidade de flexibilidade”, o aquecimento pode ser descrito como “um fenômeno fisiológico que decorre da execução de exercícios gerais ou específicos que visam, evidentemente, o aumento da temperatura corporal”.

Apesar das diferenças, ambas as práticas são benéficas para o desempenho esportivo. Gualano ressalta a importância do aquecimento para “preparar o indivíduo do ponto de vista fisiológico, e até do ponto de vista da tensão, cognitivamente, para a prática esportiva”, além de ser fundamental para as articulações, já que aquecer-se permite uma “preparação para o choque, para o impacto que acontece nas atividades um pouco mais intensas”.

Em relação ao alongamento, tanto Lavieri quanto Gualano ressaltam a importância deste para o desempenho, sobretudo em modalidades que exigem maior flexibilidade e amplitude de movimento, como a ginástica e provas do atletismo como as corridas com barreiras e os lançamentos. Nestes casos, os exercícios de flexibilidade devem ser feitos rotineiramente, para além do horário do treino, já que a literatura científica demonstra que alongar-se apenas antes ou depois do treinamento não otimiza a performance, podendo até diminuir a capacidade muscular do atleta.

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Ambos concordam que a literatura é controversa ao apontar se o alongamento e o aquecimento antes, depois ou em dias distintos das atividades esportivas podem reduzir a incidência das lesões. No que tange ao primeiro, sabe-se que “alongar é importante para aumentar a flexibilidade, [e] a flexibilidade por sua vez se relaciona com menor incidência de lesão”. Quanto ao aquecimento, o acréscimo de coordenação neuromuscular – capacidade que o músculo tem de aceitar o estímulo elétrico do Sistema Nervoso Central  e o retardamento da fadiga que esse proporciona podem contribuir com a redução da aparição de lesões.

Para os universitários, que muitas vezes saem do trabalho ou da aula direto para o treino, a recomendação dos entrevistados é que os atletas aqueçam, sobretudo nos dias mais frios. Esse aquecimento pode ser mais específico, como a realização de uma série com menos carga, no caso da musculação, ou mais geral, como uma corrida leve antes de partir para o esporte de fato.

Em relação ao pós-treino, tanto Lavieri quanto Gualano ressaltam o cuidado que se deve ter com a realização de alongamentos, já que a fadiga e o desgaste muscular proporcionados por um treino intenso, quando associados a alongamentos muito fortes, podem aumentar a predisposição do atleta a lesões. Por fim, a professora de corrida do CEPE lembrou a importância de realizar um desaquecimento, para que a frequência cardíaca possa retomar ao seu normal.

 

 

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