Connect with us

Treinamento

Alongar ou aquecer?

alongar ou aquecer

Alongar ou aquecer? Que as duas ações fazem parte da rotina de um atleta todos sabem. Mas em qual momento elas são mais adequadas?


Por Rafael Oliveira
| Jornalismo Júnior

A melhora de desempenho e a tentativa de se manter longe de lesões permeiam a rotina de qualquer praticante de atividade física, desde o esportista profissional até aquele sujeito de meia idade que só quer manter a forma – passando, é claro, pelo atleta universitário. No imaginário e no dia a dia de cada um que deseja cumprir esses objetivos, duas práticas emergem quase automaticamente: aquecimento e alongamento. Distintos e substancialmente importantes, ambos podem ajudar – direta ou indiretamente – tanto a reduzir a incidência de lesões como a melhorar o rendimento esportivo.

alonga

Crédito: Victor Matioli

Sobre as diferenças, os benefícios e os mitos acerca dessas duas práticas, a Revista BEAT consultou a professora de corrida do CEPEUSP e especialista em treinamento desportivo Paula Lavieri e o professor doutor Bruno Gualano, do Departamento de Biodinâmica do Movimento Humano da Escola de Educação Física e Esporte da USP, onde ambos se graduaram em 2006.

Um ponto de partida para compreender melhor o alongamento e o aquecimento é entender as suas diferenças. Gualano é enfático ao dizer que são “exercícios distintos”. Enquanto o alongamento é “um exercício que promove a elasticidade do músculo e é feito pra aumentar a capacidade de flexibilidade”, o aquecimento pode ser descrito como “um fenômeno fisiológico que decorre da execução de exercícios gerais ou específicos que visam, evidentemente, o aumento da temperatura corporal”.

Apesar das diferenças, ambas as práticas são benéficas para o desempenho esportivo. Gualano ressalta a importância do aquecimento para “preparar o indivíduo do ponto de vista fisiológico, e até do ponto de vista da tensão, cognitivamente, para a prática esportiva”, além de ser fundamental para as articulações, já que aquecer-se permite uma “preparação para o choque, para o impacto que acontece nas atividades um pouco mais intensas”.

Em relação ao alongamento, tanto Lavieri quanto Gualano ressaltam a importância deste para o desempenho, sobretudo em modalidades que exigem maior flexibilidade e amplitude de movimento, como a ginástica e provas do atletismo como as corridas com barreiras e os lançamentos. Nestes casos, os exercícios de flexibilidade devem ser feitos rotineiramente, para além do horário do treino, já que a literatura científica demonstra que alongar-se apenas antes ou depois do treinamento não otimiza a performance, podendo até diminuir a capacidade muscular do atleta.

Leia também:
A importância do treino de força para atletas universitários.

 

Ambos concordam que a literatura é controversa ao apontar se o alongamento e o aquecimento antes, depois ou em dias distintos das atividades esportivas podem reduzir a incidência das lesões. No que tange ao primeiro, sabe-se que “alongar é importante para aumentar a flexibilidade, [e] a flexibilidade por sua vez se relaciona com menor incidência de lesão”. Quanto ao aquecimento, o acréscimo de coordenação neuromuscular – capacidade que o músculo tem de aceitar o estímulo elétrico do Sistema Nervoso Central  e o retardamento da fadiga que esse proporciona podem contribuir com a redução da aparição de lesões.

Para os universitários, que muitas vezes saem do trabalho ou da aula direto para o treino, a recomendação dos entrevistados é que os atletas aqueçam, sobretudo nos dias mais frios. Esse aquecimento pode ser mais específico, como a realização de uma série com menos carga, no caso da musculação, ou mais geral, como uma corrida leve antes de partir para o esporte de fato.

Em relação ao pós-treino, tanto Lavieri quanto Gualano ressaltam o cuidado que se deve ter com a realização de alongamentos, já que a fadiga e o desgaste muscular proporcionados por um treino intenso, quando associados a alongamentos muito fortes, podem aumentar a predisposição do atleta a lesões. Por fim, a professora de corrida do CEPE lembrou a importância de realizar um desaquecimento, para que a frequência cardíaca possa retomar ao seu normal.

 

 

Texto produzido por:
Logo Jota ad

Advertisement

Facebook

More in Treinamento