Remando por um sonho

por • 1 de setembro de 2015 • Entrevista, IndividuaisComentários (0)788

Por Dimítria Coutinho | Jornalismo Júnior

 

Aos 25 anos, Gabriel Campos Alves de Moraes, da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP, passou pela incrível experiência de competir no Pan de Toronto. Atleta do Remo do Corinthians, Gael, como prefere ser chamado, começou a treinar o esporte aos 17 anos de uma maneira inusitada, e hoje não consegue mais largar. A BEAT conversou com o remador, que conta como trilhou sua trajetória de sucesso no esporte.

Como o esporte e, especialmente, o remo entraram na sua vida?

Sempre gostei muito de esporte. Pratiquei algumas modalidades durante minha infância, mas em nenhuma delas tive habilidade suficiente para me tornar um grande atleta. A maioria delas eram modalidades com bola e, acredite, a bola sempre me atrapalhava! Apesar de não jogar bem, gostava muito de futebol e, para desespero dos meus amigos, sempre que podia, eu ia jogar com eles.

Foi em um jogo na escola que tive minha primeira luxação de patela, fiquei parado durante alguns dias e tudo voltou ao normal. Não fazia ideia do que tinha acontecido com meu joelho, mas tinha doído muito. A segunda vez que tive o mesmo problema foi ainda pior, então procurei o médico e fui informado que eu teria que fazer fisioterapia e, depois disso, fazer musculação para fortalecer minha perna. Achei muito chato fazer musculação, então fiquei parado durante algum tempo. Mas, se o problema voltasse a ocorrer, existia a possibilidade de ter que fazer alguma cirurgia.

E foi nesse momento que o remo apareceu na minha vida. Eu era sócio do Esporte Clube Pinheiros e em uma das edições da revista do clube saiu uma matéria sobre a modalidade. Já que eu tinha que fortalecer a perna, decidi experimentar. Logo me apaixonei pelo esporte e nunca mais larguei.

Enquanto aluno da EEFE, você já treinou no esporte universitário?
Nunca treinei pela EEFE, as competições universitárias no remo do Brasil praticamente não existem. Porém, mundo afora, existem importantes competições como a Universíade, uma espécie de Olimpíada universitária. Participei em 2013 remando um barco Dois sem timoneiro. Também pude participar do mundial universitário de remo, no ano de 2014, remando o Double scull. Em ambas as competições, meu parceiro de barco foi meu amigo Arthur Gola.

Quais foram suas dificuldades e desafios para chegar até o Pan?
Acho que o principal é o fato de ter que abrir mão de muita coisa: tem que sair menos com os amigos, sair menos com a namorada, deixar de viajar com a família. Mas vale a pena! Sei que todas essas pessoas estão felizes por me verem correndo atrás desse sonho.

Qual é o sentimento de representar o Brasil?
Não sei explicar o que sinto ao representar o Brasil, mas o frio na barriga é maior.

Você sente que sua modalidade ainda precisa de incentivo aqui no país? Principalmente pela mídia, parece que há uma certa negligência em relação aos esportes, em exceção ao futebol. Você concorda com isso?
Acho que a modalidade precisa de incentivo sim, mas precisamos acima de tudo nos organizar mais enquanto modalidade. Podemos pegar como exemplo o trabalho que está sendo feito na canoagem, que tem conseguido grandes resultados. No remo, alguns resultados tem acontecido; porém, ainda são casos isolados. Também concordo que há uma negligência da mídia sim: ela acaba focando suas atenções no futebol, que dá audiencia, e se esquece das outras modalidades.

 


 

Leia também: Lei de incentivo ao esporte nas universidades


 

Qual foi sua vitória ou competição mais marcante?
Durante todos esses anos de treino, competi inúmeras vezes e todas elas ajudaram a me tornar o que sou hoje, mas gosto de destacar duas competições. A primeira foi uma seletiva para o Pan do México, no ano de 2011, em que eu e meu parceiro, apesar de termos conseguido o “índice” para participar, fomos deixados de fora. Apesar disso ter me deixado chateado na época, acabou me motivando para conseguir essa vaga no Pan de Toronto. A segunda é o Pan desse ano: apesar do resultado não ter sido do jeito que eu queria, foi de extrema importância, pois foi o que estabeleci como meta desde o meu início na modalidade.

Quais são seus planos para o futuro?
Para o futuro, o objetivo ainda é o mesmo: as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016. Tenho certeza de que terei muito trabalho para conseguir essa vaga, já que não sou o único no páreo, mas vou seguir treinando firme para conquistá-la.

 

 

Crédito foto de capa: www.row2k.com

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