Proibição de grandes festas na USP: um impasse para as Atléticas?

por • 28 de setembro de 2015 • EspecialComentários (0)1350

Por Fernanda Giacomassi | Jornalismo Júnior

 

Em uma resolução publicada pela reitoria no dia 25 de Agosto, a Universidade de São Paulo oficializou a proibição que estabelece uma série de regras e protocolos para a realização de eventos festivos no interior dos campus da universidade. A decisão foi votada pelo Conselho Gestor da USP no final do ano passado, porém somente agora foi referendada pela reitoria.

O regulamento determina que apenas eventos que tenham “compatibilidade com a vida universitária” e que não prejudiquem as suas atividades de ensino, cultura e extensão serão permitidos. Além disso, ficam banidos a venda e o consumo de bebidas alcoólicas, sendo que o organizador que descumprir qualquer uma das cláusulas ficará sujeito à “responsabilização nas esferas civil, penal e administrativa, nos termos da legislação em vigor”.

Em entrevista concedida ao Jornal do Campus, Marco Antonio Zago, reitor da USP, afirmou que, em um primeiro momento, não há estratégias concretas para a aplicação das novas regras. Exemplo disso é que o novo plano de segurança do campus, o Koban, foi orientado a não interferir nas festividades.

Até agora, de acordo com as atléticas entrevistas pela BEAT, os eventos realizados dentro do campus não estão seguindo as regras determinadas pela reitoria, como o aviso prévio com 45 dias de antecedência. Isto sugere, portanto, que um outro problema, e não uma solução, está surgindo no ambiente universitário: as festas “clandestinas”.

Apesar da afirmação do reitor de que ainda não existem medidas efetivas para impedir a realização de festas que descumpram as normas definidas, o clima entre os realizadores das mesmas permanece tenso. Representantes de duas atléticas que não quiseram se identificar disseram já estarem respondendo por processos ligados as festividades.

Efeitos colaterais

A resolução afeta diretamente as associações atléticas. Responsáveis pela inserção do esporte na vida universitária, elas têm na realização de eventos a principal fonte de renda para manutenção dos times, técnicos, materiais esportivos, aluguéis de quadras, inscrições de campeonatos, entre outros gastos. Segundo informações da Federação Universitária Paulista de Esportes (FUPE), são poucas as universidades que repassam verbas para o funcionamento das associações atléticas.Ou seja, em sua maioria, as atléticas não possuem recursos mensais fixos.
“A proibição tirou mais de 60% da nossa renda, o que nos forçou a diminuir nosso repasse para os times e técnicos, além de não conseguirmos mais nos integrar com outras faculdades”, explica Bruno Marotta, presidente da Associação Atlética Acadêmica XXV De Janeiro, da Faculdade de Odontologia da USP.


Leia também: Atléticas ainda não fazem uso de Lei de Incentivo ao Esporte


Agora as atléticas também esbarram em outro problema: como manter os Jogos Universitários sem grandes prejuízos? Integração entre várias faculdades, particulares, públicas e federais, estes jogos são a razão primordial da existência  do esporte universitário. Arthur Vernacci, representante da Atlética FAU-USP, explicou que após a redução da renda que era adquirida pelos happy hours da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, eventos como o BIFE e o InterFau sempre resultam em prejuízo para atlética: “Para não termos que cobrar preços exorbitantes pelos kits dos alunos, acabamos colocando dinheiro do próprio caixa. Porém, sem a renda destas festas, o rombo financeiro não é recuperado”.  

Alternativas

Refém de uma resolução interna de caráter permanente, a  Escola Politécnica da USP já estava preparada para as mudanças na gestão de sua atlética. Festas tradicionais, como a PoliOdonto, não foram realizadas em 2015.

Lucca Zidan, presidente da Atlética Poli-USP, disse que, inicialmente, quase a totalidade da renda da atlética provinha destas grandes festas promovidas no estacionamento da faculdade. Agora, porém, a AAA funciona através de vendas de artigos personalizados e patrocínios.

festa2

Artigos da loja da atllética Poli-USP

Michel Chieregato é um dos quatro diretores de patrocínio que fazem parte deste novo modelo financeiro da atlética politécnica e explica: “Nós procuramos empresas que se encaixem no perfil da instituição para nos patrocinarem e, em troca, fazemos divulgações online de sua marca, palestras e exposições de seus logotipos em camisetas e stands”. Entre as empresas que apoiaram esta novidade estão nomes como Cup Noodles, Spotify, Santander e Grupo Etapa Educacional.

festa1

Patrocínio na camiseta dos calouros

Atléticas de menor porte também encontraram soluções alternativas. A Guimarães Rosa, por exemplo, do Instituto de Relações Internacionais da USP, tem se sustentado com o oferecimento de almoços e jantares, a venda de comidas e a realização de campeonatos com taxa de inscrição para os atletas. A proibição, neste caso, não chegou a afetar substancialmente o caixa da entidade.

Já em relação as festas, a solução é a realização das mesmas fora da USP. Entretanto, gastos como aluguel de salão, estacionamento e segurança encarecem o preço dos ingressos e dos produtos vendidos. Além disso, se uma das justificativas da reitoria era a diminuição do consumo de drogas entre os alunos, como do álcool, por exemplo, ela não foi efetiva, pois a única diferença é que agora esse consumo é feito exteriormente à universidade.

Questionados sobre a resolução da Universidade de São Paulo, Camilia Silva e Luciano Luisi, respectivamente diretora de eventos e colaborador da atlética da Poli, disseram sentir que sua liberdade como cidadãos e como alunos foi retirada. Além disso, disseram duvidar das intenções da reitoria: “Acho que eles recorreram para a solução fácil que é proibir para não ter que se preocupar”, disse Camila.

 

 

 

Texto produzido por:
Logo Jota ad

Posts Relacionados

Comentários fechados