Esporte Universitário também tem confederação nacional – e ela não tem nenhuma relação com as atléticas

por • 27 de agosto de 2015 • EspecialComentários (0)907

Presidente da CBDU admite que entidade é pouco conhecida no país, mas projeta crescimento; especialista critica falta de “gestão profissional”

Por Cesar Carnevale Isoldi | Jornalismo Júnior

 

Você já ouviu falar da Confederação Brasileira de Futebol, certamente conhece o Comitê Olímpico Brasileiro e, da mesma forma, inúmeras entidades que gerem o esporte no nosso país. O que poucos conhecem, porém, é o trabalho da Confederação Brasileira do Desporto Universitário, a CBDU. A entidade é a responsável por gerir o esporte universitário no país e tem como objetivos promover competições nacionais e organizar as representações brasileiras em eventos internacionais.

Luciano Cabral assumiu a presidência da entidade em 2004 sob grande expectativa de mudanças. Ele agora está agora em seu terceiro mandato, que se estende até 2017, e se diz bastante satisfeito quanto ao esporte universitário no Brasil hoje. Afirma que estão no top 10 das federações mais estruturadas e ativas, dentre os 178 países afiliados à FISU, a Federação Internacional do Esporte Universitário. “No cenário nacional, a CBDU deu um grande passo e hoje é uma das Confederações mais estruturadas do Brasil. Temos um calendário nacional muito forte com ações o ano inteiro e que contempla todo o país”, diz o presidente. Ele reconhece, porém, que ainda há muito o que fazer, já que o Brasil é um país “gigantesco e bastante diverso”.

A explicação para a CBDU não ser tão conhecida entre os atletas universitários está provavelmente no “sistema federativo”, o qual Cabral afirma respeitar como confederação. A estrutura, de baixo para cima, é a seguinte: estudantes e atléticas, Instituições de Ensino (IEs) Superior, Federações Universitárias Estaduais (presentes em todos os estados do Brasil, além do Distrito Federal) e a própria CBDU.

“Tratamos diretamente com as federações e com as IEs, que participam de nossos eventos”, explica. É por isso, por exemplo, que a confederação não tem nenhuma relação com as atléticas nem com os campeonatos interuniversitários promovidos por elas. Da mesma forma que não há interferência organizacional, também não há financeira – pelo menos não de forma direta.

A professora Flávia Bastos, da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP, conta que a Lei Piva, sancionada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 2001, para regularizar a destinação de recursos para o esporte brasileiro, determina que parte desse dinheiro vá para o esporte universitário, via CBDU. Funciona da seguinte forma: 85% dos recursos vão para o COB, o Comitê Olímpico Brasileiro, e 15% para o CPB, o Comitê Paralímpico Brasileiro. Desse total arrecado por eles, 10% são destinados para o desporto escolar e 5% ao universitário.

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Cerimônia de abertura do JUBS 2014, que aconteceu em Aracaju-SE – Crédito: CBDU

Segundo Luciano Cabral, a confederação aplica grande parte desses recursos nos Jogos Universitários Brasileiros, os JUB’s, e uma outra parte no restante do calendário nacional. “A partir do próximo ano, passaremos a receber também uma parte destinada à CBC – Confederação Brasileira de Clubes – e esta parte será 100% aplicada nos jogos estaduais, através das Federações Universitárias Estaduais”, completa o presidente.

Para a professora, porém, não faltam, necessariamente, recursos. “[Falta] planejamento e estruturação administrativa, a partir de uma gestão profissional, para que se definam projetos de ação (entre eles de captação de recursos, mas não somente) para que o esporte universitário não fique apenas à mercê do poder público e de outras entidades do sistema esportivo”, acredita Flávia.

 

Campeonato Mundial

O esporte universitário também tem seu campeonato mundial, a chamada Universíade. Esse evento é organizado pela FISU em parceria com a federação do país sede. “Quando o evento é no Brasil, a CBDU é 100% responsável pela organização e quando ocorre em outros países, é a confederação que compõe a seleção nacional e envia para os mundiais”, explica o presidente da entidade.

Ele reconhece que isso é pouco conhecido no Brasil, mas é otimista quanto ao futuro. Diz que tem parcerias com todas as confederações do esporte nacional e que, no meio dos atletas, esse movimento tem sido cada vez mais forte. “Acreditamos que, após as Olimpíadas do Rio, o foco mude e possamos receber mais atenção da mídia, por estarmos nos estruturando cada vez mais”, projeta Cabral.

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A Secretária do Esporte do DF, Leila Barros, o Ministro George Hilton e o Governador Rodrigo Rollemberg: novo governo declinou de acordo de gestão anterior – Crédito: ESPN

Ele ainda ressalta que a principal proposta da CBDU é “restabelecer a matriz do esporte nacional colocando o esporte educacional como principal ator desse processo de formação”. Ele acredita que o esporte universitário deve ser a última etapa de formação dos atletas brasileiros por dois motivos: “para oferecer aos estudantes a possibilidade de jogar durante a vida acadêmica e, aos atletas, a possibilidade de ter uma profissão além da vida esportiva”.

Para atrair mais atenção, a CBDU tentou realizar a Universíade no Brasil, em 2019. A ideia era encerrar essa década, em que o país está no centro das atenções esportivas do mundo, com a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, trazendo o foco também para o esporte universitário. A sede, Brasília, conseguiu o direito de realizar o evento, mas o atual governo do Distrito Federal, em grave crise financeira, desistiu.

 

 

Crédito foto de capa: Brasileiros na Universíade, o campeonato mundial universitário – CBDU

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