Direito x Farma: a final da Copa USP

por • 2 de agosto de 2015 • Copa USP, Futsal, Jogo a JogoComentários (0)1082

Surpresas, viradas e muito equilíbrio marcaram a final do futsal masculino na série azul da competição. As duas equipes também se destacaram pelas excelentes campanhas

Por Diogo Magri e Gabriel de Campos | Jornalismo Júnior

 

Atléticas tão tradicionais quanto as da EEFE, POLI, FEA e Medicina dificilmente ficam de fora das decisões de qualquer modalidade na divisão principal da Copa USP, a Série Azul. No Futsal Masculino, por exemplo, essas faculdades estão sempre na final. Certo? Errado! Esse ano, a Copa USP teve uma decisão inédita. A edição que poderia ser como qualquer outra com tradicionais equipes foi quebrado pela surpreendente campanha de dois times extremamente competentes: Farma e Sanfran. Em um jogo marcante, a Farma e o Direito travaram uma final emocionante, tanto pela novidade do confronto quanto pelo futsal apresentado por ambos.

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O futsal masculino da Farma / Foto: Arquivo pessoal

A campanha da Farmácia começou com um empate cedido no final do jogo contra a FFLCH. “Tivemos algumas dificuldades no começo da competição. Muitas delas eram relacionadas ao nosso novo esquema tático, implantado no começo desse ano. Cometemos muitas falhas, tanto táticas, como individuais”, afirmou o artilheiro da Copa USP e jogador da Farma, Mauricio Callegari. Mesmo assim, ele afirma que foi ali que começou a união e o comprometimento fundamentais para o grupo chegar na final. No jogo seguinte, o time virou um 1-3 para 4-3 contra a fortíssima equipe da Medicina em uma partida memorável, que garantiu a classificação para a semifinal. Nem a derrota seguinte para a FEA abalou a trajetória do grupo.

A semi seria contra o time que venceu a Farma na final da mesma competição ano passado: a EEFE. Seria possível ganhar um jogo desses? Mauricio conta: “para mim, pelo menos, era difícil acreditar. Mas com o passar do tempo, passei a ouvir veteranos da Farmácia nos incentivando, dizendo que nosso time era forte, que iriamos conseguir, e que iriamos fazer história. Aquilo cresceu dentro de nós e nos tornou gigantes”. Um 4-0, de fato gigante, alcançado ainda no 1º tempo, decretou a vingança da Farma, um ano depois, garantindo a vaga do time na final da Copa USP, para enfrentar a equipe da San Fran.

A trajetória do time do Largo São Francisco, sob o comando de Gabriel Amaral, como a de seu adversário na final, não começou fácil: uma vitória apertada por 3×2 contra o IME e uma dura derrota para a EEFE por 5×1. Um momento de instabilidade, no qual o sonho de fazer história parecia se enfraquecer, mas tudo começou a mudar na 3ª partida. Em jogo contra a Poli, o time dos engenheiros ganhava por 1×0 quando por um problema de goteiras, o confronto teve de ser paralisado por 40 minutos. Com mais de 70% do jogo transcorrido, a decisão seria da arbitragem e da organização, dar ou não a vitória à POLI. Contudo, a intervenção do treinador Thiago Badari, dos politécnicos, foi determinante para que se seguisse a disputa. A San Fran conseguiu o empate e quase virou a partida faltando um minuto para o término, em um tiro livre que não entrou.

Com os 4 pontos garantidos, a classificação ainda dependia de outro resultado e foi nesse momento que a sorte começou a mudar. Com uma improvável vitória da EEFE por 11×1 sobre a POLI, ele veio, superando os 5 gols de saldo que a San Fran precisava para ir às semi-finais. Em um jogo complicadíssimo contra a sempre forte FEA, a vitória chegou em uma disputa de muita entrega e aplicação tática, concretizando a vitória por 2×1 e a vaga final. “Para cada partida adotamos diferentes estratégias e as exercitamos nos treinos, procurando não destoar demais do modelo de jogo estabelecido pela equipe ao começo da temporada: defesa forte e compactada, transição ofensiva veloz e eficiente, ataque buscando desequilíbrios a partir de ações individuais com bola”, disse o treinador Gabriel Amaral.

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Um dos esquemas táticos usados pela San Fran (em vermelho e preto) na Copa USP

Era chegada a hora da tão esperada final da Copa USP. Frente a frente, dois times que ali estavam pela primeira vez, tornando a disputa algo histórico. San Fran e Farma colocariam à prova campanhas emocionantes, de altos e baixos e muita superação. Uma final que prometia muito e não decepcionou.

A final reservou um embate bastante equilibrado, confrontando dois esquemas táticos bem definidos e bons valores individuais. A tônica do jogo foi exatamente esta: o equilíbrio. A Farma teve a dianteira do placar por duas vezes, tendo levado o 2×1 para o vestiário no intervalo. No segundo tempo, contudo, o empate veio cedo, logo no 4º minuto, em uma jogada ensaiada de falta e a virada em uma ação de contra ataque restando menos de cinco minutos para o fim. A Farma teve ainda chances de empatar, contando com ações individuais dos seus principais jogadores e muita entrega dos franciscanos, que seguraram, no sufoco, a vitória, garantindo o primeiro título da Série Azul da Copa USP ao time do Largo São Franscisco.

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Falta que resultou no gol de empate da San Fran (de novo, em vermelho e preto) na Copa USP

“Por se tratar de uma final, foi um dos jogos mais complicados e emocionantes que eu já joguei. Foi um jogo muito equilibrado, onde a San Fran aproveitou melhor as oportunidades e se sagrou campeã”. A declaração de Mauricio resume a partida. Realmente, os farmacêuticos acabaram derrotados pela equipe do Direito em uma ótima final – mas nada que apague a excelente campanha do artilheiro e seus companheiros.

O título, como já dito, não veio, mas nem é tão importante para quem ganhou tanto durante a competição. “Acho que o principal ponto forte do nosso time é a união dentro e fora de quadra. Eu, particularmente, amo jogar com esses caras. É a minha segunda família”. E, claro, o artilheiro finaliza falando sobre o professor e a torcida: “analisando taticamente, temos uma defesa muito compacta, que dificulta muito o jogo do adversário. Muito da nossa campanha também se deve ao nosso técnico, Klebber Maciel, que está desde 2009 no time de futsal da Farmácia e que sempre está trazendo novas jogadas e táticas para aprimorar o time e deixá-lo mais forte. Além disso, a torcida farmacêutica que lotava as arquibancadas de todos os nossos jogos foi de extrema importância. Sem ela nunca teríamos conseguido chegar onde chegamos”.

Na mesma linha que o artilheiro da Farma, o treinador Gabriel Amaral ressaltou a importância do grupo para alcançar os objetivos traçados: “talvez o principal ponto de apoio da equipe franciscana seja a amizade dos jogadores que a compõem, vinda de anos de convivência e boa recepção aos recém-chegados. Digo isso por perceber que não há ‘ego’ em um jogador sacrificar suas características para as outras individualidades aparecerem. Ao longo da temporada utilizamos 18 jogadores nas partidas, sendo que mesmo os que não atuaram de fato também têm sua parcela importante na conquista, como em toda equipe vencedora”.

Com grandes triunfos e duas trajetórias marcantes, ambas as equipes mereceram uma final assim como foi: histórica. A obrigação da existência de um perdedor martiriza dois times que foram tão vencedores tanto dentro, quanto fora de quadra.

 

Crédito foto de capa: Equipe da SanFran campeã da Série Azul da Copa USP / Fonte: Arquivo Pessoal

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