Entenda como funciona o rodízio de quadra do CEPEUSP

por • 5 de julho de 2015 • Basquetebol, Entrevista, Futebol de campo, Futsal, Handebol, VôleiComentários (0)1842

O processo é necessário para as atléticas conseguirem lugar para treinar, mas, complexo, gera muitas dúvidas e polêmicas

Por Cesar Isoldi | Jornalismo Júnior

 

No esporte universitário da USP um tema envolve todas as atléticas e gera confusões e polêmicas. Trata-se dos meios para se conseguir usar as quadras do CEPE, o Centro de Práticas Esportivas da Universidade, para seus treinos. O sistema é complexo, lida com prioridades, gera muitas dúvidas e até acusações de atléticas pequenas quanto a um suposto favorecimento dado às maiores pela Liga Atlética Acadêmica da USP (LAAUSP), orgão responsável pelos rodízios. Além disso, também são comuns reclamações de times que ficariam, muitas vezes, sem lugar para treinar. A BEAT conversou com um representante da LAAUSP e com a diretora geral de esporte (DGE) da Faculdade de Educação para entender melhor quais são as queixas e como esse processo funciona.

Como funciona o rodízio de quadra do CEPE? Quais são os critérios usados?

LAAUSP: O CEPEUSP fornece algumas quadras para treinamento das atléticas, a LAAUSP recebe os pedidos e os organiza de acordo com as disponibilidades do CEPE. Como em alguns casos o número de pedidos supera o número de quadras, as atléticas precisam informar qual é a prioridade de cada dia no seu pedido. Por exemplo, se o Futsal Masculino da ECA pediu reservas às segundas e quartas, ele precisa dizer, por exemplo, que segunda-feira é a primeira prioridade e quarta-feira é a segunda. Organizando todos os pedidos por dias, horários e prioridades, é feito um sorteio para ver quem ficará com as quadras. Em geral, nenhum time de nenhuma atlética fica sem quadras para treinar. Todos têm, no mínimo, um horário por semana.

Quem monta isso?

LAAUSP: A organização das quadras é feita pela LAAUSP em conjunto com as atléticas e em caso de eventuais problemas as atléticas podem nos consultar para tentar resolver todos eles.

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Segundo a LAAUSP, não há prioridade nos módulos (Crédito: Patrícia Chemin/Jornal do Campus)

E quanto às quadras cobertas – os módulos – como é feito? Há algum tipo de prioridade para usá-las?

LAAUSP: Ocorre um rodizio mensal das quadras. Por exemplo, o time A fica na quadra 1 no mês de maio e no mês de junho ele vai para a quadra 2. Dessa forma, os módulos funcionam como quadras normais, sem prioridade nenhuma. Em geral, todos os times conseguem módulo pelo menos uma vez no semestre, mas, como explicado, o rodízio faz com que esses mesmos times vão para as quadras externas em alguns momento e os das quadras externas para o módulo.

Algumas atléticas menores reclamam dizendo que as grandes têm preferência nesses rodízios. Isso é verdade?

LAAUSP: Não, isso não acontece. O que acontece, e que muitas atléticas não entendem, é que há uma diferença entre demandas dentro dos diferentes horários do CEPEUSP. Não faz sentido comparar, por exemplo, o horário estendido ou da manhã com o horário das 17h30 às 19h30. No estendido, são pouquíssimas equipes que treinam e, em alguns casos, uma mesma equipe pode até ficar com módulo o semestre todo. No entanto, das 17h30 às 19h30, muitas equipes usam e aí fica mais difícil até mesmo conseguir reserva de treino. Porém, um pedido não interfere no outro, já que os dias e períodos são totalmente independentes.


A DGE da Faculdade de Educação da USP, Giulia Castro, também falou sobre o assunto e expôs alguns problemas pelos quais a atlética passou e ainda passa. Ela critica o fato de o processo não ser muito claro e diz ser “quase impossível” usar os módulos.

Vocês sabem como funciona o rodízio das quadras do CEPE? Esse processo é claro para as atléticas?

Giulia Castro: Sinceramente, nunca entendi direito como funciona. Sei que todas as atléticas têm que conseguir pelo menos um dia e horário que pediram nas reservas. Porém, como é feito o rodízio e como é decidido qual quadra vai para qual atlética nunca ficou muito claro para mim.

Os times da sua faculdade chegam a ficar sem lugar para treinar em alguns momentos?

Giulia: Já ficamos em outros anos, mas neste ainda não. Conseguimos sempre pelo menos uma hora nos dias em que os times treinam. Nosso times treinam duas horas por dia, porém sabemos que, pela disponibilidade de quadra, é inviável que todas as modalidades consigam todas as horas desejadas. Acho que o principal problema do rodízio está na falta de quadras disponíveis, principalmente no horário das 17h às 19h30, o mais procurado. Outro fator que atrapalha muito o rodízio é a falta de qualidade das quadras. É muito ruim quando os times caem no Velódromo: o piso é péssimo e a iluminação é pior ainda, fora as valas atrás dos gols que, além de atrapalharem o treino, juntam muita água. Vejo isso como um reflexo da falta de investimento no esporte universitário, a desvalorização dele começa nas condições que nos são dadas para treino. Os módulos começaram a ser reformados e isso é um ponto positivo, porém sabemos que o processo é lento. O módulo 3 está na mesma desde o ano passado, mas vamos esperar para ver se agora ele é reformado mesmo, pois seria um ganho para todas as atléticas e aumentaria as possibilidades de quadras para o rodízio.

Vocês conseguem usar os módulos?

Giulia: O time de vôlei consegue às vezes, mas o de handebol só conseguiu nas férias, pois não tinha mais ninguém treinando. A demora na reforma do módulo 3 acabou atrapalhando o rodízio, como eu disse, e espero que agora ele seja reformado e que isso ajude no rodízio. No entanto, é quase impossível conseguir módulo para o time de handebol. Atualmente os módulos 1 e 2, utilizados para essa modalidade, estão sempre ocupados com treinos do CEPE. Em um dia ou outro da semana, o módulo 2 fica disponível para a LAAUSP, porém um módulo para entrar no rodízio de 3 modalidades diferentes (vôlei, handebol e basquete) é muito pouco. É quase impossível todos os times conseguirem passar por ele.

Você sente que há uma certa preferência para as atléticas “maiores”?

Giulia: Olha, sinceramente, sim. É claro que, sempre que coloco alguma questão sobre o rodízio, a LAAUSP revê e, se for o caso, arruma. Que foi o caso da reserva do handebol feminino do mês de junho, em que fomos colocadas as duas vezes da semana no Velódromo enquanto outros times tinham a reserva da quadra 9, nos mesmo dias e horários que o nosso time. Nesse caso, a LAAUSP refez o rodízio e nos colocou um dia na quadra 9 e outro, no Velódromo.

 

Crédito foto de capa: Jorge Maruta/Jornal da USP

Texto produzido com:
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