Uma outra visão dos inters

por • 28 de maio de 2015 • ColunasComentários (0)903

O impacto do turismo em Jogos Universitários

Por Caio Amaral Santos

O tempo está voando, o ano já está chegando a sua metade, e com isso o clima dos “Inters” começa a tomar conta das equipes, comissões técnicas e torcidas das universidades. Há pouco tempo, por exemplo, já tivemos o CUPA, em São Carlos, e o Economíadas, na cidade de Araraquara, que também sediará o JUCA deste ano.

O fato de Araraquara sediar dois grandes torneios pode trazer uma dúvida bem pertinente, e que muitos devem se perguntar: o que leva uma cidade a querer ser escolhida para receber esse tipo de evento por várias vezes?

Uma ex-aluna de turismo da ECA, Pietra Guarnieri, começou essa discussão de forma acadêmica em seu TCC. No trabalho, ela buscou explicar um pouco sobre a dinâmica dos Jogos Universitários sob o aspecto do turismo de eventos esportivos. Os ganhos para a cidade, financeiros ou de projeção, a motivação dos turistas nos Jogos, o quanto gastam – fatos que nos passam despercebidos são mostrados em seu trabalho.

Em sua pesquisa, ela concluiu que os jogos universitários podem gerar impactos parecidos com os de grandes eventos esportivos, porém, em escalar bem menores. A diferença é que, nos Jogos Universitários, é muito difícil que sejam deixados legados, visto que a existência de uma infraestrutura básica (alojamentos, ginásios, quadras, etc.) é requisito para a escolha da cidade que receberá os jogos.

Além de a prefeitura receber doações em fundos sociais e esportivos (Araraquara, por exemplo, pede R$ 20 mil; já Registro, apenas compra de placares eletrônicos e alguns reparos em quadras e outras instalações esportivas, segundo informações de um ex-membro da LAACA), para suprir o pequeno ou inexistente fluxo turístico nesses períodos da chamada “baixa temporada” (mesmo com as disputas ocorrendo em feriados prolongados), as cidades veem nos jogos uma forma de movimentar a economia e também se auto promover. Em Araraquara em 2010, por exemplo, a ocupação dos hotéis durante o período do JUCA foi de 70%, número muito acima do normal da cidade.

Os resultados das entrevistas realizadas por Pietra – 202 questionários que ela disponibilizou online em jovens que participaram ao menos uma vez de jogos universitários –mostram algumas tendência dos frequentadores. Algumas não são novidades para os frequentadores desses eventos, como a grande maioria se hospedar nos alojamentos contra os 13% que fica em hotéis. Outros são dados de pouco conhecimento, como os gastos dentro da cidade: a maioria gasta até R$200 nos dias dos jogos, sem contar o preço dos “kits” – quase 90% desse valor gasto em alimentos e bebidas, o resto é em hospedagem e deslocamentos dentro da cidade.

Concluindo, os jogos universitários, assim como os eventos esportivos, podem ser formas de promoção e exposição de uma cidade, além de gerar uma boa renda, principalmente para o os setores de comércio e serviços, que são os que mais lucram com a presença dos estudantes. Além disso, dificilmente há prejuízos para a cidade, e ainda há a possibilidade de lucrar com a locação espaços públicos ou privados para as festas.

Porém, apesar dos jogos serem capazes de promover o turismo nos locais, estes devem estar atentos em mapear atrativos de que despertem a atenção dos turistas, além de proporcionarem prestação de serviços satisfatória, como nos meios de hospedagem e setor de alimentos e bebidas, por exemplo, além de apresentar uma boa infraestrutura urbana, como nas rodovias de acesso, na sinalização, entre outros.

Esse acaba sendo o problema em muitos locais, o que pode ser observado nas entrevistas com os universitários no TCC de Pietra: 93% dos entrevistados não visitou nenhum ponto turístico das cidades em que participaram dos jogos. Além disso, poucos são os que acabam decidindo voltar aos locais para visitar.

Por isso estudos como o de Pietra são importantes, com a ajuda desse instrumento de pesquisa, as cidades conseguem ver as principais tendências em uma determinada tipologia de turismo, nesse caso o de eventos esportivos. Assim, o planejamento é mais bem elaborado e a cidade consegue aplicar políticas públicas que maximizem cada vez mais os ganhos para ela mesma e que façam com que os frequentadores dos Jogos tenham uma experiência muito além do que estão acostumados.

 

 

Texto produzido por:

–Bacharel em Turismo pela Universidade de São Paulo.

– Atua nas áreas do Turismo, Esporte e Lazer.

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