O lado materno das quatro linhas

por • 10 de maio de 2015 • EntrevistaComentários (0)709

Por Rafael Bezerra | Jornalismo Júnior

 

Integrar uma equipe universitária é, antes de tudo, uma grande responsabilidade. A árdua rotina de treinamentos e competições, muitas vezes, consome os compromissos familiares do jovem atleta. Pensando nisso e aproveitando a comemoração do Dia das Mães, convocamos três delas, muito diferentes entre si, para um breve relato de suas relações com a rotina extracurricular dos filhos e sua presença na vida esportiva deles. O desenrolar dessas interessantes conversas você confere abaixo:

 

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Maria Celeste Nigro, 55 anos, dentista e mãe de Giovana Nigro, integrante do time de basquete feminino da SanFran

Como você enxerga a participação do seu/sua filho(a) no esporte universitário? Desde o início a ideia foi aprovada?

Virginia: Curto com imenso prazer! Assim, é óbvio que a participação em qualquer modalidade esportiva jamais seria contestada. Ao contrário: sempre que posso, viro platéia e torcedora.

Walkiria: (risos) Não, achava que ela devia estudar. Mas depois fui acostumando. Quando fui ver, ela já estava no segundo esporte, fazendo parte da Atlética. Aí eu disse “ferrou” (risos).

Celeste: Acho que o esporte é sempre bem-vindo. E o esporte universitário ainda mais, pois é uma forma maravilhosa com a universidade. No caso da minha filha, quando ela era caloura no ano passado, confesso que fui resistente à ideia. Principalmente pelos horários dos treinos, que vão das 22h às 24h.

 

A carreira do atleta nas universidades normalmente exige um grau de dedicação maior, em vários aspectos. Muitas vezes o jovem deve abrir mão de compromissos familiares para atuar em campeonatos ou realizar treinamentos. Como você lida com isso? Existe, de certa maneira, um consenso entre as partes sobre esse assunto?

Virginia: Acho extremamente saudável quando uma atividade precisa e merece dedicação maior, o que é o caso de qualquer atividade esportiva de competição.

Walkiria: Toda vez que fazem o calendário da Atlética, ela me liga pra ver se temos alguma restrição. Então, acabamos conciliando o esporte e o social. A dedicação dela me faz compreender as vezes em que fica ausente.

Celeste: É preciso ter consciência do compromisso assumido com o grupo, e eu acho que isso é algo que ela tem. Não há tanto problema quanto à abdicação de compromissos familiares, ela sabe conciliar bem. Por exemplo: quando tem aniversários (na nossa família são muitos), geralmente ela consegue ir depois do jogo. A Giovana, especificamente, também não se incomoda em perder algumas baladas, pensando nos jogos dos dias seguintes. Existe certa “tensão” aqui em casa com o tempo que ela dedica ao basquete e o que ela dedica aos estudos (risos).

 

Você consegue abrir uma brecha na rotina para prestigiar seu/sua filho(a) nessas competições? Se sim, com qual frequência?

Virginia: A rotina, o dia-a-dia de cada pessoa é e sempre foi uma competição. Repito: vou sempre que posso.

Walkiria: Sim. Quando estou em São Paulo, vou sempre nos jogos. As meninas gostam de me ver torcendo, levando água, paparicando. Ano passado a frequência era maior, mas a partir de janeiro fui transferida para o Rio por conta do trabalho. Pretendo ir no primeiro jogo, no dia 16, quando estaremos em comemoração do aniversário dela (risos).

Celeste: Comecei a assistir alguns dos jogos dela apenas recentemente, mas me encantei. Não sabia como era divertido torcer! De quebra eu levo minha mãe, que já é quase a avó oficial do time (risos). Desde então tenho tentado ir sempre que possível.

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Walkiria Bastos, 52 anos, assistente administrativa e mãe da atleta Brenda Bastos, do handebol e futebol de salão IME

 Mais do que uma prática saudável, o esporte traz  consigo um forte sentimento de representação para  o atleta, pois a oportunidade de representar a  universidade em competições é vista como única.  Você acredita que essa participação possui  importância para a vida acadêmica do seu/sua  filho(a)? Por quê?

 Virginia: Não entendo muito de carreira acadêmica,  embora tenha me formado na mesma USP, mas considero  que a prática do esporte, seja por prazer ou competição, é  uma energia de primeira classe para o bem estar do ser humano, em diversos aspectos.

Walkiria: Sim. Não sei para a vida acadêmica, mas para a integração com a universidade. O dia-a-dia da Brenda é, em boa parte, voltado para ela.

Celeste: Quando a minha filha volta sem voz dos Jogos Jurídicos, ou quando ela chora depois de uma derrota, eu entendo o quanto aquela camisa significa para ela. Percebi, durante o ano passado, que o esporte foi essencial para que ela, de fato, se apaixonasse pela sua faculdade, especialmente porque o primeiro ano pode ser difícil ou intimidador. Acho que o sentimento de saber que você pode defender o nome da sua faculdade, que você pode fazer algo que agregue mudança é um sentimento único.

 

Como mãe de um atleta da USP, qual é a sua dica para as mães de calouros que, assim como você, devem passar por situação semelhante?

Virginia: Assistam aos jogos!! É um belíssimo momento de recarga de energia!

Walkiria: Olha, não posso falar pelos outros, mas os jovens não gostam que os pais participem, seja no social ou no esporte. Mas a Brenda exige a minha participação em tudo. Então, tem que partir primeiramente dos jovens, porque levar mãe para o jogo é mico (risos). E, referente às próprias mães, o apoio é essencial.

Celeste: Para mim, a prioridade é o curso. Como ela foi uma caloura que sofreu um pouco tentando conciliar todas as obrigações, minha primeira dica é pesar o quanto essa atividade a faz realmente feliz. Ao longo do tempo e com a vivência universitária, quando se entende um pouco mais esse novo ambiente, fica mais fácil organizar tudo. Mas tem que saber os momentos de abdicar e se voltar mais aos estudos. O esporte não pode ser responsável por notas ruins. No fim, fazer parte de um time é o que deixa a experiência de se estudar em uma faculdade, ainda mais na USP, valer muito mais a pena.

 

Finalmente, nesse próximo domingo será celebrado o Dia das Mães. Como você pretende passar essa data tão importante? Com seu/sua filho(a)?

Virginia: Sim, ele não faltaria. Muito menos seus irmãos. Mas não é que o Dia das Mães ou Dia dos Pais sejam únicos, onde só nesses dias mães, pais e filhos confraternizem. A energia dos meninos e meninas de qualquer casa não se expressa apenas em jogos ou festas com comemoração específica. Há festas também sem motivo algum e, às vezes, elas são até mais animadas! Normalmente, eu “varo a noite” junto com eles e seus amigos. Nem penso em vigiar, passo por baladas junto com eles porque gosto, porque são ótimas. O Pedro, aliás, é um especialista nisso: grande companheiro, farrista e atleta. Em vários sentidos.

Walkiria: Sim, será celebrado com a melhor filha atleta, aqui no Rio de Janeiro!

Celeste: Normalmente, passamos o Dia das Mães em família, todos juntos. Mas se tiver jogo nesse dia, vou torcer!!

 

Foto de capa: Virginia Murano, 65 anos, jornalista e mãe do atleta de handebol Pedro Murano, da EEFE

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