O interior vai dominar a capital?

por • 15 de maio de 2015 • Basquetebol, Jogo a Jogo, VôleiComentários (0)2328

As atléticas do interior estão cada vez mais fortes no meio esportivo. Preocupação para as da capital e alegria para o esporte universitário

Por Diogo Magri e Vinícius Sayão | Jornalismo Júnior

 

Disputar qualquer campeonato universitário já não é uma tarefa fácil. Para as universidades do interior, que precisam vir à cidade de São Paulo para jogarem estas competições, a logística se torna ainda mais complicada. Pensando nisso, a revista BEAT foi atrás das equipes de basquete masculino da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP, a ESALQ, de Piracicaba, e de vôlei do Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira da USP, o CAASO, de São Carlos, para falar sobre como é disputar a Copa USP, realizada no principal campus da universidade, na capital paulista.

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Equipes de basquete masculino e feminino da ESALQ-USP de Piracicaba (Foto: Leonardo Camargo)

Campeã da Copa USP Série Laranja, do Sampira e do Interpira no ano passado, a equipe de basquete masculino da ESALQ, treinada por Leonardo Camargo, quer voltar ainda mais forte em 2015. Visando o concorrido InterUSP deste ano, o time está disputando novamente a copa realizada na cidade de São Paulo.

Mesmo com as dificuldades de locomoção e o alto nível da competição – no último dia 2 de maio, a equipe foi derrotada por 55×43 pela EEFE no campeonato -, Lucas Ingold, membro da atlética do campus de Piracicaba, afirma ter boas expectativas e esperar bons resultados do basquete nesta Copa USP. O treinador Leonardo ainda completa: “Sair do interior para jogar em São Paulo é uma experiência ótima para os alunos confraternizarem com outros atletas da USP, além de um grande aprendizado para a nossa equipe.”

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A formação defensiva com o quarteto formando o quadrado e o ala Zakarias marcando o melhor jogador adversário (Imagem: drawaplay.com)

Dentro de quadra, o ponto forte do time de Leonardo é o coletivo, principalmente na defesa. Agressiva, a marcação por zona se fecha no garrafão em forma de quadrado, fazendo a cobertura da rotação ofensiva adversária sempre nesta figura. O objetivo é não perder rebotes nem permitir infiltrações. Além disso, o ala, Zakarias, além de muito eficiente ofensivamente, “sempre neutraliza o melhor jogador da equipe adversária, sendo um dos melhores marcadores da liga”, segundo o próprio técnico.

Para que o esquema defensivo funcione, transições rápidas e contra-ataques são fundamentais durante o jogo. E, preparada para diversas situações durante os quatro quartos, a equipe ainda conta com letais arremessadores de longas distâncias – é o caso de Felipe, também destacado por Leonardo Camargo.

O treinador ainda aposta em planos que vão além das conquistas de seus meninos. Leonardo tem como desejo ver a equipe de basquete feminino do campus de Piracicaba jogando a Copa USP (atualmente, a ESALQ só tem representantes de basquete masculino, futsal masculino, tênis e karatê na competição). “Eu quero que as meninas comecem a disputar a Copa USP. Seria um importante passo para o projeto do basquetebol na ESALQ-USP.” Diante de ideias tão boas, só nos resta desejarmos sorte e sucesso a Leonardo e suas promissoras equipes.

Desde que deixaram de participar do InterUSP, no final da década de 80, os times do CAASO não tiveram mais contato com os times da capital. Isso mudou ano passado, com a participação da atlética na Taça USP de 2014. A partir de então, o comparecimento das equipes de São Carlos tem se tornado frequente nos campeonatos realizados na Cidade Universitária.

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Equipe feminina de vôlei do CAASO (Foto: Arquivo pessoal)

Neste ano, os são-carlenses já marcaram presença no BichUSP. Mesmo diante da dificuldade de levar os bixos, que mal haviam entrado na universidade, para São Paulo, o CAASO conseguiu organizar times para jogar o torneio. E as equipes conquistaram um resultado surpreendente: o vice-campeonato em seis modalidades diferentes (natação masculino, judô, jiu-jitsu, tênis de mesa masculino, xadrez e futsal masculino).  ‘’A ideia inicial era apenas levar alguns bixos para participarem  e, futuramente, tornar isso algo tradicional, para podermos competir de frente com as outras equipes da capital’’, disse o presidente da atlética, Matheus Pereira.

Diante dos excelentes resultados obtidos no BichUSP, a expectativa é de boa campanha também na Copa USP, algo que vem se concretizando. Até o fechamento da reportagem, os atletas de São Carlos haviam atuado em onze jogos, obtendo oito vitórias, dois empates e sofrendo apenas uma derrota. Além da boa preparação, há também a experiência. O CAASO se sagrou, em abril, campeão geral da Copa Universitária Paulista (CUPa), na qual competiu com algumas equipes da capital paulista, como as da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE), ambas da USP.

‘’Apesar de todo desgaste com a viagem até São Paulo, os atletas estão realmente empolgados com a participação na Copa USP e darão toda RAÇA possível para serem campeões’’ completou Pereira.

Um dos destaques é o vôlei. As equipes masculina e feminina, treinadas por Toni Rodrigues, evoluíram muito em relação aos anos anteriores. O treinador afirma que um facilitador do trabalho é a união dos atletas dentro e fora de quadra e que esse é um grande diferencial em uma equipe universitária.

Taticamente, Rodrigues organizou a equipe feminina em um sistema 4×2 com infiltração da levantadora que esta no fundo. No vôlei profissional, esse sistema foi bastante utilizado pela equipe de Cuba, por isso pode ser chamado também de 4×2 cubano. O 4×2 com infiltração, possui duas levantadoras e quatro atacantes. A levantadora que está ao fundo da quadra é a responsável pelos levantamentos, possibilitando que em todas as passagens do rodizio a levantadora tenha sempre três opções de ataque na rede. Essa tática intensifica o volume de jogo e aproveita as jogadoras tecnicamente habilidosas. ‘’No feminino temos um grupo bastante reduzido, o que aumenta a responsabilidade em quadra, mas todas são muito empenhadas e querem melhorar a cada jogada’’ afirmou Toni Rodrigues. Como pontos a serem melhorados, o técnico cita o ataque e o bloqueio.

Já a equipe masculina atua em um 5×1, no qual existem cinco atacantes e um levantador. Nas passagens em que levantador estiver na rede ele possui duas opções ofensivas, também próximas à rede, e mais uma ou duas pelo fundo da quadra. Porém, quando o levantador está ao fundo de quadra (realizando infiltração), na rede haverá três opções de ataque e mais uma pelo fundo. Esse sistema investe no potencial ofensivo do time, que é, segundo o treinador, o ponto forte da equipe, ao contrário da recepção e da defesa, que ainda precisam ser aperfeiçoados. Com um grupo grande, existe ainda a possibilidade da rotatividade e a ideia é mesclar jogadores experientes com aqueles que estão começando.

A equipe feminina está disputando a Copa da Associação de Vôlei São-Carlense (AVS-São Carlos), enquanto a equipe masculina disputa a Copa USP e a Copa dos Campeões (Liga de Altinópolis). São campeonatos que duram o semestre ou o ano todo. Posteriormente, ambas equipes têm torneios como CaipirUSP e Taça Universitária de São Carlos (TUSCA), que acontecem em um único feriado.

 

Foto de capa: Equipe de voleibol masculino CAASO / crédito: Organização CUPA

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