CREF enfraquece o esporte universitário?

por • 25 de maio de 2015 • CartolaComentários (0)1501

Por Mateus Feitosa e Rafael Oliveira | Jornalismo Júnior

 

O Conselho Regional de Educação Física da 4ª Região (CREF4/SP), legitimado pela lei federal nº 9696/98, é o órgão que exerce a função do Conselho Federal de Educação Física (CONFEF) no Estado de São Paulo. O CREF tem como objetivo “garantir à sociedade o direito de ser atendida por profissionais de Educação Física, eticamente comprometidos”, por intermédio da fiscalização e orientação do exercício profissional, agindo com “excelência, justiça e ética.” As averiguações do órgão em busca de irregularidades partem de denúncias, que podem ser realizadas no site da instituição, sendo obrigatória a identificação do denunciante.

Foi por intermédio de uma denúncia que o CREF/SP chegou ao Cepeusp. No último dia 7 de abril, o Centro de Práticas Esportivas da Universidade de São Paulo recebeu uma visita surpresa de fiscais do órgão. Disfarçados de alunos interessados na prática de esportes, os funcionários da autarquia vieram à USP averiguar supostas irregularidades. Após a inspeção, os treinadores do rugby da Escola Politécnica e do atletismo da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) foram notificados. Além disso, o Cepeusp foi autuado por conivência e pela ausência de profissionais habilitados na sala de musculação.

Emílio Antonio Miranda, diretor do Centro de Práticas Esportivas da USP (CEPEUSP), também foi notificado pelo Conselho durante a fiscalização, e recebeu o prazo de 10 dias para apresentar sua defesa junto ao CREF/SP. Em entrevista para a Revista Beat, Miranda declarou que as devidas medidas já estão sendo tomadas para regularizar a situação do Cepeusp. Explicitou, também, que no documento de defesa, discorreu sobre o contexto atípico do espaço universitário, reforçando a impossibilidade de impedir que as Atléticas e os alunos utilizem do espaço com certa liberdade. Emílio frisou ter uma boa relação com o Conselho, mas disse acreditar que o aprendizado proporcionado pela utilização do espaço, no que tange os graduandos de educação física, é de extrema importância para a formação de um bom profissional.

A Liga Atlética Acadêmica da Universidade de São Paulo (LAAUSP) organizou uma reunião poucos dias depois o acontecido, para discutir a ação do CREF e os eventuais malefícios que isso poderia causar ao esporte universitário da USP. Segundo informou o presidente da LAAUSP, João Francisco Meireles, a Liga pretende apresentar um projeto elucidando ao Conselho como é o funcionamento do esporte dentro da USP, enfatizando a importância da EEFE para a construção deste. Por ora, porém, a instituição declarou que não pretende efetuar mudanças radicais, pela inviabilidade destas em um contexto de dificuldades financeiras das Atléticas da USP.

As opiniões dos educadores físicos acerca da atuação do CREF divergem. O professor de um colégio da Zona Sul paulistana, Renato Carvalheiro, há 10 anos filiado ao Conselho Regional, em entrevista à Revista, declarou ser a favor da obrigatoriedade do registro para exercer a profissão. Segundo ele, um profissional formado e registrado tem maior capacidade de prover uma orientação segura e de qualidade aos alunos. “Tem que se formar antes para exercer a profissão, isso é indiscutível, tem que se formar. Por que advogados tem que se formar antes, tirar a OAB para poder exercer a profissão, e o professor de Educação Física não?”, opinou.

Baseando-se em sua experiência no esporte universitário, Carvalheiro acredita que é possível, com a colaboração dos estudantes, manter a saúde financeira das Atléticas, sem deixar de cumprir a lei. O educador físico teceu críticas à necessidade de se identificar para realizar uma denúncia, declarando também que os benefícios oferecidos pelo CREF ainda são poucos, devido principalmente a sua recente criação, mas que, no geral, a atuação do Conselho é razoável e cumpre o seu propósito.

Em contraposição, o técnico Plínio Cotta, do voleibol feminino de RI e auxiliar do futebol  de campo da ECA, demonstrou-se desfavorável à atuação da autarquia, mostrando-se contrário à obrigatoriedade do registro que hoje é prevista na legislação brasileira. Segundo ele, “não é possível [que o] diploma [valha] menos que o valor pago por uma anuidade e não [se veja] quase nada de contrapartida”. Para o treinador, a ação do CREF pode enfraquecer o esporte universitário da USP, já que muitas das equipes não têm condições de manter o salário de profissionais registrados. Segundo Cotta, há uma movimentação maior da reitoria em relação ao auxílio do desporto da universidade, mas as atléticas precisam buscar parcerias externas para conseguirem sobreviver. O educador físico criticou a preocupação excessiva do Conselho com áreas pequenas, ressaltando que a autarquia dificilmente intervem nos “peixes grandes”, fazendo com que “os grandes cresçam cada vez mais e os pequenos sofram para se conquistar seu espaço”

Em entrevista à BEAT, o CREF esclareceu que “os Profissionais de Educação Física são inscritos no CREF e, não, associados”, e, portanto, as anuidades são “contribuições” “que devem ser necessariamente revertidas para as atividades legais do Conselho, [como] manutenção e investimento de sua estrutura de funcionamento, principalmente a de fiscalização.” Segundo a instituição, 1.122 pessoas sem registro foram autuadas em 2014 pela equipe de 24 fiscais, sendo que as fiscalizações ocorrem “através de informações advindas do sistema de dados cadastrais do Conselho, de denúncias originadas de qualquer cidadão, desde que por escrito, ou ainda com informações […] veiculadas nos diversos meios de comunicação”. Na concepção do Conselho, “a prerrogativa de exercer a profissão da Educação Física em conformidade com a lei é o benefício que o Profissional deve buscar”.

 


Confira a entrevista completa com o CREF, aqui: http://revistabeat.com.br/?p=1788


 

 

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