O melhor ataque é a defesa

por • 19 de março de 2015 • Handebol, Jogo a JogoComentários (0)1861

Handebol masculino da Física teve o sistema defensivo como principal arma na conquista do BIFE

Por Carolina Oliveira | Jornalismo Júnior

  Em novembro de 2014, na cidade de Araraquara, o time de handebol masculino do Instituto de Física (IF) sagrou-se campeão da categoria no BIFE, derrotando a Veterinária, a Biologia e por fim, vencendo a FFLCH na grande final. Para o técnico da equipe, Arthur Pellegrini, a defesa sólida foi essencial para a conquista. “A gente ganhou o BIFE porque defendemos bem”, afirma o treinador. “O time adversário cansava no ataque e então, tínhamos tranquilidade para contra-atacar”.

Contudo, o sucesso do handebol do IF não é de hoje. Pellegrini ressalta que, quando assumiu a equipe no início do ano passado, a formação já estava bem consolidada, após quase dez anos de trabalho de seu antecessor, o técnico Rafael Zimak. “O time sempre foi bom e estava montadinho. Foi só no segundo semestre que eu comecei a mexer mais”, diz.

Ele explica que o sistema defensivo é baseado no bloqueio. Os jogadores do time geralmente se posicionam logo na entrada da área defensiva, num esquema 6:0, que fecha o gol e dificulta a aproximação do ataque adversário. “São seis jogadores, e a gente coloca todo mundo com o pé na linha”, conta o técnico. Sem conseguir se infiltrar na defesa, o oponente é obrigado a arremessar de longe ou a trabalhar mais a jogada, o que, com o tempo, desgasta fisicamente seus jogadores.

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O sistema defensivo da Física é baseado no esquema 6:0, com os defensores compactados e bloqueando o gol.

Um dos principais fatores que possibilitam tal esquema tático são as próprias características dos atletas da Física. A maioria dos jogadores do time são altos e fortes, sobretudo os que, na hora de defender, ficam mais próximos ao centro do gol. Tal aspecto ajuda no sistema de bloqueio organizado pela equipe. “Quando os defensores levantam o braço, é difícil os adversários entrarem nesses espaços”, explica o treinador.

Contudo, mesmo quando alguém consegue furar esse paredão, ainda é uma árdua tarefa ultrapassar o arqueiro do IF. “Nosso goleiro é bom, então, quando alguma bola passa, ele garante”, diz Pellegrini. “Os adversários tentavam entrar, mas a bola batia e voltava. E quando arremessavam de fora, o bloqueio e o goleiro iam bem”. Tamanha eficiência é comprovada pelos números: ao longo do BIFE, a Física tomou pouquíssimos gols no primeiro tempo das partidas disputadas. “Só tomamos dois ou três gols; tem time que toma mais de quinze”, avalia o técnico.

O ponto de vista do ataque

Diante das características dos jogadores da Física, que não são rápidos, é natural que o aspecto ofensivo tenha menos destaque que a defesa. Contudo, o setor defensivo também pode ajudar a dianteira em alguns momentos, como quando a equipe consegue encaixar algum contra-ataque a partir de bolas roubadas. Pellegrini explica que a função de roubar essas bolas pertence aos dois jogadores que ficam mais próximos às laterais no posicionamento defensivo. Apesar de se manterem no esquema 6:0 (defendendo bem perto da linha da área), esses jogadores tentam marcar um pouco mais à frente. Tal arma foi usada pela Física na final do BIFE, contra a FFLCH. Contudo, o treinador ressalta que essas jogadas de velocidade são menos frequentes. “Nesse jogo contra a FFLCH encaixou, mas não é nosso ponto forte, porque nosso time é mais pesado”, diz.

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Apesar de usar majoritariamente o esquema defensivo 6:0, com todos os jogadores defendendo o gol, ocasionalmente a equipe também avança a marcação com os dois jogadores da ponta, procurando roubar a bola do adversário e buscar o contra-ataque

O treinador destaca a presença do jogador Breno Suleiman, que é federado e atua como central e meia-esquerda. Por ser um atleta de nível profissional, ele possui mais técnica que a média dos universitários, e assim, é capaz de se sobressair ofensivamente quando há espaço, ou em situações de 1 contra 1. “Ele arremessa por cima, arremessa por baixo, consegue passar para o pivô”, aponta Pellegrini. “Por isso, a gente montava algumas situações em que ele tinha vantagem sobre a defesa adversária”. Para o técnico, outro destaque na dianteira é o central Gustavo Scanavachi, conhecido como Resende. “Ele é muito inteligente, então às vezes fazia alguma coisa que os defensores não estavam esperando”.

Em termos de jogada ofensiva, Pellegrini relembra a semifinal do BIFE, contra a Biologia. A Física contava com um jogador a mais, porém perdia por um gol de diferença, e portanto, precisava empatar para que o jogo fosse levado para os sete metros (uma espécie de cobrança de pênaltis do handebol). Nesse momento, o ataque não decepcionou. “A gente fez uma jogada certinha, sobrou a bola para alguém que colocou na mão do nosso pivô, e então a gente empatou”, conta o técnico. “Depois foi para os sete metros e nosso goleiro pegou”.

Porém, Pellegrini considera que o time ainda pode evoluir ofensivamente, sobretudo no aspecto psicológico e na organização tática. “Nosso ponto fraco no ataque é a ‘cabeça’, porque quando eles acham que não está dando certo, cada um pega a bola e faz uma coisa. Vira uma confusão”, brinca o treinador.

Mudanças para 2015

Para esta temporada, o treinador afirma que manterá o esquema defensivo que vem dando certo nos últimos anos. Porém, naturalmente, algumas alterações táticas serão feitas. Defensivamente, ele pretende trabalhar melhor o sistema com jogadores das laterais marcando pressão, como ocorreu no jogo contra a FFLCH. “Ao invés de ficar todo mundo na linha, os defensores da ponta vão jogar um pouco mais à frente, marcar seu jogador até o fim”, explica.

Pellegrini, hoje com 21 anos, foi jogador de handebol federado pela Metodista durante dez, atuando na posição de central. Ele, que também é auxiliar técnico das equipes de handebol da Faculdade de Medicina, diz admirar um modelo de jogo com mais troca de passes no ataque. Por isso, um de seus ídolos é Diogo Hubner, atleta da seleção brasileira de handebol e ex-técnico de Pellegrini na Metodista. “Ele jogava mais com o pivô, então, ao invés de ele mesmo arremessar, o Diogo deixava todo mundo na cara do gol”, diz. E tal modelo é um dos projetos de Pellegrini para a Física em 2015. “Nesses treinos do começo do ano estamos focando bastante nisso de troca de passes. Ao invés de eu arremessar e querer fazer o gol, preciso ver se tem um cara melhor sozinho”.

 

 

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