Esporte, carreira e educação

por • 22 de janeiro de 2015 • ColunasComentários (0)816

Por Eduardo Carlassara

 

Ao longo do século XX, o esporte firmou-se como um dos maiores fenômenos socioculturais de alcance global. Campos, quadras, piscinas, pistas, entre outros, tornaram-se palcos de grandes espetáculos. Daí o famoso processo de espetacularização sofrido pelo esporte nas últimas décadas. Mas é impossível falar sobre tal processo sem citar a peça chave de todo o fenômeno: o atleta.

Durante sua carreira, o atleta passa a ser tão reconhecido pela sociedade e pela mídia que atinge, segundo Katia Rubio, professora referência em Psicologia do Esporte, a condição de herói, mito ou ícone. É difícil nessa hora não se lembrar de Pelé, Guga e, mais recentemente, Neymar Jr. Todos ícones que marcaram e marcam diferentes gerações.

No entanto, toda carreira tem seu início, meio e fim, e é nesta hora que problemas podem surgir. A carreira do atleta, em geral, encerra-se muito cedo e, para ele, imaginar-se longe dos holofotes da mídia, do contato com os fãs e de toda a rotina que estava habituado pode ser – e em geral é – um processo extremamente traumático. São inúmeros os relatos de atletas que ficaram meses sem dormir, pois não sabiam o que fazer quando encerraram suas carreiras. Não estudaram, nem se prepararam.

Por conta disso, a saída mais comumente encontrada é aquela em que o atleta, diante da necessidade de se manter ligado ao meio já habituado, se torna técnico, preparador físico ou dirigente, desempenhando novas funções, mas ainda no meio em que já estava inserido. Mais do que simplesmente se manter ligado a uma identidade, formada dentro das quadras, ser técnico significa manter o vínculo com o esporte. Nesse novo papel, além de ele manter ou desenvolver novos estilos e tendências técnicas, há também a possibilidade de multiplicar e propagar uma cultura relacionada à modalidade e ao seu exercício. No entanto, não é sempre e nem para todos que portas se abrem e acabamos, por exemplo, por ter nossos ex-ídolos caindo em desgraça, sem perspectivas profissionais.

Mas você leitor deve estar pensando: onde chegará esta discussão? Trago-lhe a resposta, caro leitor.

No Brasil, é praticamente lei que esporte e educação não conseguem caminhar juntos. Quantos são os atletas que obtiveram sucesso enquanto, ao mesmo tempo, estudavam? Ou melhor, quem nunca ouviu de um atleta a seguinte frase: “Não dava para conciliar estudo e os treinos e, como eu estava em momento muito bom, tive que abandonar os estudos e focar na minha carreira”. São inúmeros os casos.

Pois é, caro leitor, enquanto o nosso país não desenvolver um modelo de gestão esportiva e de formação de atletas focado nas duas frentes, esporte e educação, nós continuaremos nos deparando com atletas que, se não tiverem oportunidade para atuarem como técnicos ou dirigentes, não terão perspectivas profissionais em outros meios quando suas carreiras se encerrarem.

Termino, então, esta análise com duas perguntas: Será que o Brasil está no rumo esportivo certo? Será que o esporte brasileiro adota um modelo gestão correto? É para se pensar…

 

Texto produzido por:
Edu

Eduardo Carlassara
– Bacharel em Esporte pela Universidade de São Paulo.
– Ex Membro do Centro de Estudos Olímpicos da Escola de Ed. Física e Esporte.
– Atua na área de Marketing e Eventos Esportivos.
– Sócio Diretor da LA Sports – Marketing, Consultoria e Eventos Esportivos.

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