União e dedicação da FFLCH conquistam o TRI

por • 27 de novembro de 2014 • EspecialComentários (0)1501

Por Paula Thiemy | Jornalismo Júnior

 

Depois de 9 anos de espera, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP conquistou o tricampeonato no XV BIFE. Os outros títulos foram em 2004 e 2005. A competição, que envolve a participação de 11 faculdades/escolas/institutos da USP, recebe esse nome por causa das iniciais das atléticas fundadoras (Biologia, IME, FAU e ECA). Também marcam presença FFLCH, Química, Física, Veterinária, Geologia, Psicologia e, em 2014, a Odontologia.

Com exceção do atletismo e da natação, que ocorreram antes em São Paulo, os jogos aconteceram durante o feriado prolongado em comemoração à Consciência Negra, entre os dias 20 e 23 de novembro, em Araraquara.

A Revista BEAT conversou com a atual gestão da atlética da FFLCH, que está na administração desde maio, e agora revela alguns segredos da atlética que alaranjou Araraquara.

Atual gestão da Atlética com os troféus do XV BIFE  -  Crédito: Paula Thiemy

Atual gestão da Atlética com os troféus do XV BIFE – Crédito: Paula Thiemy

Depois de 9 anos esperando pelo tri, qual foi o diferencial nesse ano?

A união, com certeza. Não temos muita noção do que aconteceu exatamente nos outros anos, mas nesse somos um grupo grande, além dos milhares de colaboradores que apareceram. Muitas pessoas de fora foram braços pra ajudar, principalmente na hora de resolver problemas. Também tentamos resgatar o “Orgulho de ser FFLCH”, que é um dos nosso lemas, e levar pessoas para torcer nos jogos que acontecem em São Paulo. Tentamos uma integração entre os times e as pessoas começaram a se conhecer, o que aumenta ainda mais a união.

Em que momento a FFLCH foi colocada, oficialmente, como campeã do BIFE?

Nosso último jogo coletivo foi o handebol masculino. Ainda tínhamos o tênis mas o IME desistiu, e durante o jogo do handebol já sabíamos da vitória. Os meninos receberam a premiação e, logo depois, recebemos o troféu de campeão geral em quadra. A torcida toda estava lá.

Qual foi a importância da torcida nessa conquista do BIFE 2014?

Foi essencial. As meninas do vôlei, por exemplo, nunca chegaram em uma semifinal e, segundo elas, ver a torcida mudou toda a situação em quadra. Além disso, a bateria empurrou muito os times. No fim, mesmo quem não vai especificamente para torcer, acaba dentro dos ginásios gritando com todo mundo.

Como foi possível contornar todos os problemas que surgem durante o inter?

Esse ano tivemos uma sintonia tão grande entre a gestão e as modalidades que conseguimos superar todos os problemas. Todo mundo colaborou e sempre perguntavam se precisávamos de alguma ajuda. Mesmo quem não era de modalidade ou não tinha contato direto com a atlética fez questão de participar de montagem de festa, por exemplo.

A atlética fez previsões de resultados antes do BIFE? Era boa?

Era uma boa previsão mas não ficamos fazendo contas ou suposições. Na verdade, esse ano nós queríamos realmente priorizar os esportes individuais como o atletismo, xadrez e  jiu jitsu. No atletismo conseguimos o primeiro lugar no masculino e segundo no feminino, além da natação que vem crescendo a cada ano e é um investimento que não vem desse ano, mas de outras gestões. No xadrez, nossa tesoureira se esforçou muito, virou Diretora de Modalidade (DM) e conseguiu levar atletas da modalidade para competir. Foi um dos times que mais investimos esse ano.

Em resumo: não fizemos uma previsão exata mas priorizamos os individuais porque sabíamos que eram nossos pontos fracos. Os coletivos sempre vão em uma média bem razoável, ainda mais pela quantidade de alunos que a Faculdade recebe todos os anos, mas no individuais sempre perdíamos pontos importantes.

A preparação das equipes foi afetada pela greve na USP?

Bastante. Os atletas tiveram que arranjar quadras fora do campus ou treinaram em lugares como a Praça do Relógio, Parque do Povo e até mesmo na rua. Alguns simplesmente não treinaram por falta de opções, já que nenhum dos nossos times concordou em usar o CEPEUSP durante a greve. A arrecadação de dinheiro também foi afetada. A venda de cerveja caiu muito, o que afetou a arrecadação da atlética e dos próprios times.

A proibição de festas no campus prejudicou a parte financeira e, consequentemente, a esportiva? 

Duda Batista Massaini, presidente da Atlética  -  Crédito: Paula Thiemy

Duda Batista Massaini, presidente da Atlética – Crédito: Paula Thiemy

A questão das festas na FFLCH foi anterior à proibição. Já estávamos tendo problemas com violência e, interiormente, paramos de realizar festas grandes. A última delas foi em maio. Depois disso, procuramos fazer confraternizações menores e investimos em material de divulgação, como as nossas camisetas.

A FFLCH  tem alguma vantagem pela quantidade de alunos que recebe todos os anos?

Proporcionalmente, sofremos muito com a quantidade de alunos/atletas. Poucos dos que entram são mobilizados em relação ao esporte. Aqui temos 10 mil graduandos e 8 mil pós graduandos, mas os atletas somam, aproximadamente, 200. Também tem o perfil da faculdade, que influencia bastante.

O que a atlética está tentando fazer para motivar os atletas?

O maior foco deve ser na comunicação, conversar mais com o atleta. E esse incentivo está partindo não só da nossa, mas de todas as atléticas, além da própria universidade. O pró reitor quer ajudar as atléticas, tentar financiar o BichUSP para que as atléticas se preocupem, exclusivamente, em conseguir calouros que participem do campeonato. A nossa gestão também está tentando ficar mais próxima dos times tratando dos assuntos importantes diretamente com eles, saber a realidade de cada um.

Para vocês, existe algum diferencial nos times da FFLCH?

Sim. Aqui nenhum time é no estilo “catadão”, quando as pessoas são chamadas para competir na hora e formam uma equipe. Existem times e isso é muito importante, fomenta a união e o espírito de equipe. Além disso, um time consolidado atrai muito mais a torcida. Temos muitas modalidades novas, que estão renascendo, e queremos que isso se mantenha.

A vitória no BIFE só aumenta o incentivo disso para as próximas gestões e mostra o potencial que sempre tivemos. Muita gente já lutava por isso há muitos anos, temos veteranos incríveis e que são ótimos exemplos, nos ensinaram muito. Agora, é rumo ao tetra do, como gostamos de chamar, BIFFE.

 

 

 

Crédito foto de capa: Equipe Feminina de Voleibol da FFLCH em jogo contra ECA / Revista BEAT

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