drogas no esporte

Drogas: como afetam o corpo do atleta?

por • 17 de novembro de 2014 • Saúde & AlimentaçãoComentários (0)16092

Saiba mais sobre os impactos do uso de drogas no esporte.

Por Vitor de Andrade | Jornalismo Júnior

Drogas recreativas são substâncias utilizadas com o fim de estimular boas sensações, como euforia, felicidade e esquecimento de memórias ruins, para satisfazer problemas sociais e da própria natureza humana, como tédio, curiosidade, falta de auto-estima, desejo de risco, fuga das dificuldades, abatimento, etc. Entre exemplos desta categoria de droga estão a maconha, a cocaína, o LSD, o ecstasy e muitos outros.

Muitos mistérios percorrem este tema e o desconhecimento da sociedade em geral acerca da verdadeira natureza das drogas é visível. Saber sobre como estes compostos funcionam, como agem no corpo e suas consequências é algo essencial para não ser enganado ou iludido. Para o leitor atleta, que tem como prioridade manter o corpo em condição saudável, compreender o funcionamento das drogas é mais fundamental ainda para possuir discernimento.

Então, a Revista BEAT vai te ajudar a compreender este delicado mundo, compondo uma lista explicativa das drogas mais utilizadas no planeta. Abra a sua mente e role o mouse pra baixo!


Obs: É essencial ressaltar que a Revista BEAT não possui posição, favorável ou desfavorável, acerca do uso de drogas. Este texto tem o intuito singular de informar.


Maconha

A droga ,vinda das plantas do gênero cannabis, é a mais consumida na lista, possuindo um total de 162 milhões de usuários frequentes atualmente. A planta possui cerca de 500 compostos diferentes, porém o principal é o THC (tetrahidrocanabidiol), substância psicoativa responsável pelos efeitos recreativos da planta.

A maconha pode ser fumada, vaporizada, comida e bebida. Seus efeitos incluem relaxamento psicológico e muscular, mudança de percepção, leve euforia, aumento do apetite e sensação de prazer. Porém também tem efeitos que podem ser indesejados, como avermelhamento dos olhos, secura na boca, dificuldade na memória de curto prazo e nas habilidades motoras, assim como aceleração no batimento cardíaco. Não há efeitos físicos a longo prazo comprovados em adultos, a não ser relacionados ao ato de fumar (a queima de seda libera substâncias tóxicas ao pulmão).

Por ser uma droga cada vez mais inserida na sociedade, há vários casos de atletas que foram flagrados usando maconha ou mesmo que admitem seu uso. Exemplos famosos são Michael Phelps , Kareem Abdul-Jabbar e Arnold Schwarzenegger. Recentemente, vários atletas revelaram um uso às escuras por vários colegas de esporte. Por exemplo, o próprio Abdul-Jabbar declarou que “80% da NBA fuma maconha”; Joe Rogan, figura conhecida na UFC disse que “muitos lutadores de jiu-jitsu brasileiros usam maconha antes de treinar. Muitos lutadores americanos também. Eles não fazem isto porque machuca, mas porque isto ajuda eles”.

Entretanto, o mundo do esporte não é tão liberal assim: a detecção de THC no corpo caracteriza doping, o que meteu muitos atletas em encrencas, até mesmo o primeiro medalhista de ouro em snowboarding na história das Olimpíadas de Inverno, o ídolo do vôlei brasileiro Giba e outros atletas de destaque. Mas porquê caracteriza doping? De acordo com o Cômite Olímpico Internacional, a maconha entra nos três princípios do doping:

I- Pode alterar drasticamente a performance esportiva. De acordo com artigo conduzido pela professora Marylin Huestis(Instituto Nacional de Abuso de Drogas, EUA), “Claramente, cannabis induz euforia , aumenta auto-confiança, induz relaxamento e estabilidade e alivia o stress da competição. Cannabis melhora o sono e recuperação após atividade, reduz ansiedade e medo e ajuda o esquecimento de eventos negativos como quedas. Cannabis aumenta a tomada de riscos a isto talvez melhore o treino e performance, levando a uma vantagem competitiva. Cannabis aumenta o apetite, incentivando maior consumo calórico e massa corporal. Cannabis aumenta percepção sensorial, diminui ritmo respiratório e aumenta o ritmo cardíaca; maior bronquiodilatação talvez melhore oxigenação dos tecidos. Finalmente, cannabis é um analgésico que poderia permitir atletas a treinar apesar de contusões e dor induzida por fatiga.”

II- Representa potencial perigo à integridade física. Citando o mesmo estudo, “Cannabis pode alterar a percepção de risco, potencialmente levando a uma pior tomada de decisões e/ou risco ao atleta e seus companheiros. Com influências negativas na coordenação, movimento e percepção de tempo, cannabis pode impedir habilidades técnicas essenciais que talvez também aumentem a probabilidade de incidentes e contusões, especialmente ao se lidar com equipamentos ou altas velocidades.”

III-Contraria o espírito do esporte. De acordo com o COI, o uso de uma substância que além de ilegal na maior parte do mundo, possui capacidade de alterar a performance e apresentar risco, é incompatível com a imagem do atleta como modelo para os jovens ao redor do mundo.

Heroína

Heroina

Court McGee venceu o vício em heroína após “nascer de novo” e se tornou lutador vitorioso do UFC.

Esta droga, obtida da refinação do ópio (extrato de sementes de papoula) foi sintetizada no século XIX como um medicamento da Bayer (que também descobriu a aspirina) e proibida no século XX por causa da forte dependência física que causa. É obtida ao se modificar a molécula da morfina, achada naturalmente na papoula, de maneira a ser absorvida muito mais rapidamente do que em sua forma natural. (Um detalhe: no Reino Unido, a heroína é usada como analgésico forte para uso em hospitais).

Ela pode ser fumada, injetada ou engolida e provoca sensação de prazer e euforia intensos em seus usuários. Porém em longo termo os resultados não são prazerosos: a heroína é a droga recreativa que provoca maior dependência e maior dano ao corpo, de acordo com a escala feita pelo especialista David Nutt. A tolerância à droga cresce muito rápido e os efeitos do abuso são devastadores, como pneumonia, infecção e colapsos no sistema circulatório, debilidade do fígado e abcessos (acumulação de pus). Mas há algo mais devastador que isso na vida do usuário: a abstinência. Os efeitos da abstinência são muito mais atormentantes do que os efeitos do uso, a um ponto em que países europeus têm permitido a prescrição da própria droga em quantidades controladas para dependentes que não mostraram resposta a outros tratamentos.

A heroína é uma droga que impossibilita totalmente a prática esportiva, e o seu uso arruinou as carreiras de vários atletas, como Timothy Montgomery (ex-recordista mundial dos 100m), Peter Jackson (ex-jogador da seleção australiana de rugby), Eugene Lipscomb (bicampeão da NFL e ex-lutador de wrestling) e Ken Caminiti (melhor jogador da Baseball National League em 1996). Mas um exemplo mostra que é possível superar a dependência: Court McGee, lutador de MMA que em 2005 foi dado como clinicamente morto após uma overdose de heroína. Após esta experiência de quase-morte, Court conseguiu interromper o vício e engatou sua carreira profissional, vencendo a competição The Ultimate Fighter e entrando no UFC, e mantém um recorde de 16 vitórias e 4 derrotas. “Eu nunca pensei que poderia ser algo na vida”, declarou o lutador. “Agora meu trabalho é levar uma mensagem aos que passam dificuldade por aí”.

Inalantes

Etoo

Inalante é uma categoria extensa de materiais voláteis que podem ser aspirados por efeitos recreativos, como lança-perfume, cola, solvente de tinta, acetona, corretivo, verniz, derivados do petróleo, sais de cheiro…a lista é longa. Alguns são mais agressivos, os chamados intoxicantes, e produzem efeitos como euforia, confusão auditiva (o “tuim”), perda do tato e até alucinações vívidas no caso de altas doses (que se forem altas demais matam instantaneamente). Este efeito, que dura de 30 segundos a alguns minutos, se deve à falta de oxigenação no cérebro.

As substâncias desta categoria são de fácil acesso, já que muitos destes produtos são vendidos legalmente para outros fins, por um preço barato. Os efeitos são rápidos, porém os efeitos a longo prazo são marcantes: dificuldade de respiração, intoxicação das vias aéreas, danos ao cérebro, perda de audição e náusea, além do risco de morte por parada cardíaca, hipoxia(falta de oxigênio), pneumonia e engasgamento com o próprio vômito.

É perceptível que inalantes intoxicantes não são muito populares entre atletas, já que é torna a prática esportiva muito difícil. Mas há um tipo de inalante que é bem popular: os sais de cheiro, que são amplamente utilizados por atletas de vários esportes com o objetivo de “acordar”, despertar a consciência e deixar a mente em estado de alerta. Vários preparadores carregam consigo sais de cheiro pra utilizar em atletas derrubados ou inconscientes(ou mesmo em condições normais), principalmente em esportes de contato, como boxe, futebol americano, basquete e futebol, mas também em competições de levantamento de peso.

Atletas famosos como Peyton Manning, Samuel Eto’o (Confira a reação de Eto’o aos sais de cheiro aqui), Tom Brady, Carlos Boozer, entre outros, já foram flagrados usando durante os jogos. Estes sais contém amônia, que em contato com a mucosa do nariz e pulmão, causando uma irritação que leva a um aumento do batimento cardíaco, ritmo respiratório e atividade cerebral. Mas há um problema: a amônia é tóxica em quantidades concentradas, chegando a ser fatal. O uso destes sais deve ser em pequenas quantidades e de maneira rápida, para não chegar a queimar as mucosas. O seu uso também não é recomendado para esconder problemas sérios ou atrasar um tratamento apropriado, no caso de nocaute. Além disso, o uso da amônia piora qualquer tipo de lesão pré-existente na coluna cervical, por causa de sua natureza irritante.

Cocaína

drogas

Martina Hingis, 1ª do ranking mundial por 209 semanas, foi suspensa por 2 anos pela detecção de cocaína

A cocaína é resultado da refinação do extrato das folhas de Erythroxylum coca, um arbusto nativo da região dos Andes. A cocaína é um alcalóide que serve como anestésico de contato (até recentemente ainda se usava para cirurgias pulmonares), porém ao ser aspirada ou injetada possui propriedades psicotrópicas, que incluem aumento grande da disposição, sensação de invencibilidade, perda da fome, hiperatividade e excitação sexual. Mas não ache que cocaína pode te deixar invencível por muito tempo: o abuso da droga, que é altamente viciante, causa taquicardia, hipertensão, tremores, hiperventilação e salivações, e a longo prazo a perda de capacidade mental, enxaqueca constante, arritmia cardíaca e desmaios. O consumo de uma alta dose pode causar paranóia, alucinações, convulsões e morte instantânea por parada cardíaca. Um grande problema é que a tolerância à droga aumenta conforme o uso, o que força o usuário a usar quantidades cada vez maiores.

A cocaína é uma droga que figura na história de vários ex-atletas famosos, como Diego Maradona, George Best(futebol), Lawrence Taylor, Michael Irvin(futebol americano), Martina Hingis(tênis), Roy Tarpley(basquete), e até atletas promissores que não conseguiram chegar ao estrelato(link em inglês). Porém eles têm algo em comum: suas carreiras começaram decair no momento em que começaram a abusar da droga. Há algumas décadas começaram a ser feitos testes para cocaína antes das grandes competições, o que é justo, já que o uso da droga causa instantaneamente um pico de performance, além da sensação de invencibilidade. Um exemplo é Thomas Henderson, ex-jogador do Dallas Cowboys(futebol americano), que secretamente guardava um spray com cocaína diluída, que borrifava no nariz durante os jogos. Recentemente, ele admitiu ter usado no Super Bowl(final do campeonato americano) de 1979 uma quantidade grande da droga: “Minha bagagem para o Bowl foi minha cocaína. […] O estádio tinha 80.000 fãs barulhentos, mais 200 milhões assistindo no mundo todo pela TV, e eu estava do lado do campo dando um par de ‘cheiradas’ na frente de todo mundo.”, disse. “Eu perdi naquele dia. Nós perdermos naquele dia. Eu estava fora de controle”. No mesmo ano, ele foi expulso do time por causa de seu comportamento.

LSD

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Dock Ellis, um dos jogadores mais excêntricos da MLB, admitiu ter usado LSD no maior feito de sua carreira   Crédito: Divulgação / MLB

A dietilamida de ácido lisérgico(que em alemão, gera a sigla LSD) é uma substância produzida no metabolismo do esporão-de-centeio, um fungo que vive junto ao centeio e que na idade média fez muita gente ver alucinações com o ergotismo. Ela foi sintetizada por acidente pelo químico suíço Albert Hoffman, no ano 1943. Seu processo criou um princípio ativo tão forte  que apenas microgramas(um décimo de um grão de areia) são capazes de causar os efeitos. O  LSD é uma droga que potencializa  a percepção psicológica, ou seja, seus efeitos dependem do estado mental e ambiente em que o usuário se encontra. Em uma situação estável, leva o usuário a ter alucinações prazerosas, aguçamento dos sentidos(como audição de sons imperceptíveis e expansão do tato), sinestesia(mistura dos sentidos, como por exemplo ver a cor dos sons ou sentir o cheiro das cores),experiências espirituais e de autodescobrimento, além de mudança na percepção do tempo. Porém, o abuso da droga ou o seu consumo em situação instável leva a psicose, medo de perseguição, esquizofrenia, insegurança e ansiedade, que podem ter longo prazo. Os efeitos físicos são a dilatação da pupila, sensação de frio ou calor, piloereção(o famoso “arrepio dos pêlos”), aumento da frequência cardíaca

Existem poucos casos de atletas conhecidos pelo uso de LSD, possivelmente porque a droga não é difundida no meio esportivo. Mas um caso chama a atenção: Dock Ellis, um ex-jogador de baseball que fez um no-hitter(performance raríssima no esporte, em que o lançador não tem nenhuma de suas bolas rebatidas no jogo inteiro) sob o efeito da droga. Ellis conta sua história de maneira bem-humorada neste vídeo, (link em inglês). Porém a presença de LSD não é testada na maioria exames antidoping, pela raridade do seu uso por atletas.

Ecstasy

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Wes Welker, um dos melhores recebedores em atividade na NFL, foi suspenso neste ano pelo uso do MDMA   Crédito: Divulgação / NFL

A metilenodioxianfetamina(MDMA), tamém conhecida como ecstasy, é uma droga pertencente a categoria das anfetaminas que ao chegar no cérebro pela corrente sanguínea, diminui a reabsorção de serotonina, dopamina e noradrenalina, fazendo com que estes hormônios fiquem mais tempo em contato com as sinapses, causando sensação de recompensa, alteração sensorial, desejo de contato físico e diminuição da ansiedade.

Durante os efeitos de ecstasy, o usuário tem seu ritmo cardiorespiratório e pressão aumentados bruscamente, o que o faz perder bastante água pelo suor, perder o sono e o apetite. A droga realmente o deixa “ligadão”, chegando ao ponto de causar bruxismo(“raspar os dentes”) e alterações visuais. Porém após um tempo todos aqueles hormônios que estavam presos nas sinapses são destruídos pelo cérebro, até mesmo aqueles presentes antes do consumo, logo o usuário se sente extremamente depressivo e ansioso, resultado da ausência dos hormônios “felizes”. Após um uso prolongado do MDMA, o consumidor começa a ter anedonia crônica, ou seja, incapacidade de sentir prazer e felicidade em qualquer situação.

Wes Welker, Orlando Scandrick, da NFL, Brad Mousley, prodígio do tênis australiano, e Andrew Burns, nadador conterrâneo de Brad, foram suspensos dos seus respectivos esportes por causa do uso de ecstasy. É considerada doping, porque além de ser uma substância ilegal  é um forte estimulante, que leva um nível de hiperatividade e iniciativa que pode trazer riscos à saude do atleta.

 

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