Esporte nas candidaturas de 2014

por • 3 de outubro de 2014 • EspecialComentários (1)641

Principais candidatos das pesquisas são negligentes e possuem discursos vazios

Guilherme Caetano e Marília Fuller | Jornalismo Júnior

  No próximo 5 de outubro, os brasileiros mais uma vez irão às urnas para escolher seus próximos representantes nos poderes executivo (presidente e governador) e legislativo (deputados estadual, federal e senadores). Entre os candidatos  à presidência e ao governo do Estado de São Paulo, ficam claras as propostas referentes a saúde, educação, economia, segurança e reforma política, dentre tantos outros assuntos frequentemente abordados e cobrados pela grande mídia do país. Contudo, o programa dos candidatos referente ao esporte – seja profissional, universitário ou amador – sequer ganha espaço nas propagandas políticas transmitidas pela televisão e pelo rádio.

  Com exceção do futebol, as modalidades esportivas possuem diversas dificuldades em despontar a nível nacional, entre elas a falta de recursos para desenvolvimento de sua massificação e o pouco investimentos em centros de treinamento. A necessidade de melhor planejamento para o esporte brasileiro é essencial não apenas nos órgãos esportivos, mas também nos governos federal, estadual e municipal. Por esse e tantos outros motivos, seria de se esperar que os candidatos deste ano dessem uma atenção maior do que o assunto tem recebido nos últimas eleições a cargos do executivo, com ideias e propostas as quais promovessem o esporte e o colocassem em um patamar de importância maior do que ocupada atualmente.

  Analisando os planos de governo dos  candidatos com mais presença nas mídias do país e com ideologias políticas diversas, a BEAT selecionou os pontos principais de cada um deles sobre a questão do esporte no Brasil e em São Paulo.

 

Candidatos à presidência

 Crédito:http://www.bsf.org.br  Edição: Marília Fuller

Crédito: http://www.bsf.org.br  –  Edição: Marília Fuller

 

Luciana Genro (PSOL)

Luciana introduz o tema dos esportes falando da emblemática derrota do futebol brasileiro no evento sediado pelo país, em julho. A partir disso, tece críticas à estrutura de nossa organização esportiva e mostra como as atividades físicas beneficiam a população. Em seu programa, separa quatro principais prioridades: democratizar o acesso ao esporte e à atividade física; construir o Sistema Público Nacional do Esporte e da Atividade Física (para uniformizar e regular os investimentos e organizações esportivas em todas as esferas federativas); construir um país saudável; e estruturar uma legislação que moralize o esporte de alto rendimento. Apesar de uma das propostas ser bastante subjetiva, como “construir um país saudável”, Luciana se oferece para mudar a estrutura de nosso esporte através da interferência direta na legislação, o que se mostra necessário.

Aécio Neves (PSDB)

  Dentre as 76 páginas que seu programa possui, apenas uma delas é dedicada ao esporte. O presidenciável propõe 18 diretrizes para o investimento esportivo, apesar de pouquíssimos tópicos serem de aplicação objetiva. Aécio enumera pontos subjetivos como “promoção do esporte como ferramenta para o desenvolvimento humano, econômico e social”, “reconhecimento da importância dos clubes na matriz esportiva nacional”, “incentivo ao esporte escolar, valorizando as aulas de educação física” etc, sem apresentar propostas e programas concretos que ponham em prática as ideias apontadas pelo candidato.

Dilma Rousseff (PT)

  As propostas concretas da presidente em relação ao assunto também são escassas. A maioria dos trechos sobre esporte que aparecem em seu programa são referentes ao que foi feito em seu governo atual, como em “Os governos do PT investiram muito em esporte e cultura, implementando políticas que se tornaram instrumentos de inclusão social e desenvolvimento econômico”. Para a reeleição, Dilma propõe a continuação de suas política atuais, avançando mais  na cultura e no esporte, aprofundando os programas já estruturados e desenvolvidos em parcerias com os municípios, estados e sociedade civil.

  Seu plano de governo também faz referencia a programas já existentes, como os Centros de Artes e Esportes Unificados. Ela propõe a implantação e o fortalecimento do apoio a estes centros que “propiciarão espaços comunitários para a expressão cultural plena dos cidadãos”, segundo ela. Mais adiante, ainda que toque em um ponto interessante sobre a federalização do ensino esportivo, direciona as propostas ao futebol. “Desenvolver um sistema nacional de esportes que integre as políticas públicas entre os entes federados é prioridade. É urgente modernizar a organização e as relações do futebol, nosso mais popular esporte”, lê-se no documento.

  Dentre suas propostas mais objetivas, Dilma fala sobre a continuidade do programa Bolsa Atleta, criado pelo PT e que dá auxílio financeiro para jovens esportistas. Ainda prevê a construção de 285 unidades dos Centros de Iniciação ao Esporte em 163 diferentes municípios do país, o que propiciaria a infraestrutura adequado ao surgimento, desenvolvimento e descoberta de novos talentos do esporte.

Marina Silva (PSB)

  Em seu extenso programa de governo de 224 páginas, Marina destina apenas três delas ao esporte. Apesar de se estender sobre a história e a importância do esporte e da atividade física no país, seu programa questiona severamente o tratamento dado ao assunto. Ela evidencia que somente 30% das escolas de educação básica no Brasil têm quadras para a prática de esportes e que apenas 33% dos cidadãos fazem atividade física suficiente. Afirma em seguida ser necessária uma legislação que defina melhor o Sistema Nacional de Esporte e uma política nacional de longo prazo para o esporte, além de fazer críticas importantes à defasagem nos investimentos. Se esses julgamentos forem sinônimos de propostas para combater todo o descaso com o esporte, tem-se aqui um passo imprescindível para o desenvolvimento das atividades físicas, apesar das suas poucas diretrizes.

 

 

Candidatos ao governo de São Paulo

Crédito:http://www.veja.abril.com.br  Edição: Marília Fuller

Crédito: http://www.veja.abril.com.br  –  Edição: Marília Fuller

 

Geraldo Alckmin (PSDB)

  Novamente, pouco mais de uma página destinada ao esporte em um programa com 50 delas. São 14 propostas, e algumas delas são bem aplicáveis, como a de construir um Centro Olímpico para formação de atletas de alto rendimento nas modalidades olímpicas e Paraolímpicas, apesar de pouco proveitosa para a Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro. Alckmin também promete investir na construção, reforma e adequação das praças esportivas, adequar e adaptar a infraestrutura e os equipamentos esportivos para atender os atletas paraolímpicos e dar continuidade na reestruturação dos Jogos Escolares do Estado de São Paulo.

Paulo Skaf (PMDB)

  As propostas de Skaf giram em torno da promoção e seleção de atletas, do desenvolvimento de atletas de alto rendimento, dos esportes comunitários e para pessoas de terceira idade e da efetivação da Lei Paulista de Incentivo ao Esporte. Seu programa de governo também não trabalha com números e as promessas atêm-se em verbos subjetivos como “promover”, “estimula”, “fortalecer”, “incentivar” e “permitir”. Mesmo sendo um dos únicos candidatos a mencionar o esporte universitário, ele apresenta pouco conhecimento sobre o calendário esportivo ao anunciar que pretende criar torneios entre as faculdades. O calendário universitário de esportes já está saturado e novos campeonatos pouco ajudariam no desenvolvimento dos ateltas envolvidos nesse meio.

Alexandre Padilha (PT)

  Talvez com o programa mais lamentável na questão esportiva, o plano de governo de Padilha cita a palavra ‘esporte’ apenas três vezes em suas 16 páginas. O candidato diz que a mudança para uma Rede Estadual de Educação do século 21 deve ser pautada em escolas que integrem diversas políticas, de juventude, cultura, esporte, promovendo o contato com o “mundo do trabalho e com a sua comunidade”. No tópico sobre bem-estar e qualidade de vida, cita ser fundamental que políticas assegurem o direito ao esporte e ao lazer, porém sem apresentar, em seguida, alguma proposta paupável.

 

  A esperança de candidaturas mais preocupadas com esporte e seus praticantes foi mais uma vez derrubada pela contínua falta de atenção que sofre dos planos de governo dos candidatos com maior intenção de voto – o ponto fora da curva é Luciana Genro, mostrando grande preocupação com o assunto e vontade de mudanças concretas. O esporte universitário ainda sofre mais que o profissional e o amador, sendo abordado de forma totalmente irreal e por apenas um entre todos os candidatos. Este pouco cuidado e esmero, apesar de não ser recente, poderá refletir negativamente na próxima Olimpíada, com sede no Rio de Janeiro. Se um evento esportivo do porte dos Jogos Olímpicos e uma Copa do Mundo da FIFA não conseguiram causar efeito na mentalidade da política brasileira, é preocupante e desanimador imaginar o futuro da maioria dos atletas brasileiro, constantemente afetados pela negligência de seus próprios governantes.

FONTE: Todas as candidaturas e seus respectivos projetos de governo, com exceção do programa de alguns candidatos, estão disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (http://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-2014/sistema-de-divulgacao-de-candidaturas).
Crédito Foto de Capa: Foto de Glauber Queiroz (Portal da Copa/ME)

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One Response to Esporte nas candidaturas de 2014

  1. marisa ferrarini disse:

    parabens pelas materias .Estão cada vez melhores

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