A União Realmente Faz a Força

por • 21 de outubro de 2014 • BasquetebolComentários (1)2079

Um olhar por dentro do campeão dos Jogos da Liga de basquete feminino de 2013 até os dias de hoje

 

Por Cintia Oliveira

 

Foi no fim do segundo semestre de 2013 que a Faculdade de Farmácia (Farma/USP) conquistou seu primeiro título inédito dos Jogos da Liga de basquetebol feminino. O conhecido campeonato organizado sempre no fim do ano pela Liga Atlética Acadêmica da Universidade de São Paulo (LAAUSP) há muito não era tão almejado pelas meninas do time, que só colocaram a mão na taça após uma vitória de muita raça sobre o time da Faculdade de Economia e Administração (FEA/USP), tradicionalmente mais forte.

Não só na final, mas durante todo o percurso para alcançar a vitória, a equipe teve que passar por seus próprios momentos de declínio e crise, nos quais o apoio mútuo entre as atletas e a comissão técnica – Paulo Mardegan e Hamilton Bigatão –  foi a base para o time ressurgir. Segundo o auxiliar técnico da equipe, Hamilton Bigatão, o grande ponto de virada para o time foi antes mesmo dos Jogos começarem, numa derrota humilhante contra o time da Faculdade e Engenharia Industrial (FEI) ainda no campeonato NDU. “A gente acabou perdendo porque foi um jogo muito ruim, foi um marco pro time começar a treinar forte. A partir daí o time começou a estar presente em todos os treinos, e aí conseguiu uma boa alavancada pras finais.”

Com um maior esforço e comprometimento do time, o ritmo de treino consequentemente se tornou mais pesado e assim aspectos técnicos e táticos que seriam considerados “pontos fracos” puderam ser melhor trabalhados. Tendo que lidar com a constante rotatividade dos times, comum nas modalidades do âmbito universitário pelo tempo de graduação dos estudantes, Hamilton conta que trabalhou com um sistema quase sempre adaptável para cada situação de jogo. Na defesa, majoritariamente, optou-se pela marcação individual, em que cada garota é responsável por defender uma menina específica do outro time, tornando assim possível disputas de bolas mais isoladas entre cada dupla (famoso “um-contra-um”). Ele explica que essa é uma boa forma de ensino para uma atleta em fase de aprendizado, que quase nunca tem experiência anterior intermediária ou avançada no esporte, a maioria esmagadora dos casos.Já numa marcação à zona, em que cada menina é distribuída pela quadra e defende uma área, sem se apegar a uma atacante específica, essas pequenas disputas se tornam mais difíceis.

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O trabalho intenso durante os treinos corrigiu principalmente as pontas soltas desde aspectos mais básicos de técnica (correção de arremessos, um-contra-um, postura de defesa) quanto à visão mais complexa de jogo (tática) que, segundo Hamilton, é a maior dificuldade entre as atletas não só da Farmácia, mas em geral no esporte. Porém, o tempo todo, nunca foi deixado de lado aquilo que seria o mais importante pra qualquer vitória dali pra frente: a coletividade. “É isso que eu sempre passei como filosofia pra elas. Sejam um time unido, porque é isso que vai fazer a diferença no momento crucial, no momento em que nada está dando certo. Quando perdeu pra FEI, o time se uniu e falou “não, a agora gente vai pra frente”. Se não tivesse essa união, a coisa não acontecia.”

Quase um ano depois, Hamilton ainda defende essa mesma forma de pensar, não só dentro, mas fora de quadra, através da promoção de eventos de integração das meninas do time para que cada uma saiba seu papel para o funcionamento da unidade como um todo. “Esses aspectos fora da quadra fazem com que as meninas gostem do esporte, gostando umas das outras e a gente consiga fazer um grupo que vista a camisa do basquetebol e vista a camisa da faculdade, acima de tudo.”

Já ensinava uma das mais famosas fábulas de Esopo que galho só, quebra fácil, mas um conjunto deles unidos faz a força. A metáfora é batida, mas o princípio é o mesmo. No time de basquete feminino da Faculdade de Farmácia, é o conjunto que vale. Nem mais uma do que outra, todas unidas fora e dentro da quadra, se apoiando mutuamente sem sobrecarregar ninguém é o que segura o time no lugar. Nos dias de glória, nos dias de derrota, veteranas e calouras em sincronia com a comissão técnica ajustam o time para os novos tempos se readaptando com o ciclo natural de rotatividade e o material humano que tem, sem nunca perder de vista o que lhes mantém unidos: o amor à camisa e ao basquetebol.

 

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One Response to A União Realmente Faz a Força

  1. João Bigatão Neto disse:

    Parabéns professores e garotas.
    Uma grande jornada se inicia com um pequeno passo. Mao.

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