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Rugby, uma paixão universitária

por • 1 de agosto de 2014 • Jogo a Jogo, RugbyComentários (0)852

Em vésperas do Mundial Universitário de Rugby Sevens, o rugby na USP é uma modalidade que cresce cada vez mais, garantindo mais adeptos e visibilidade.

Guilherme Caetano e Vitor Andrade| Jornalismo Júnior

 

O Brasil receberá, nos dias 9 e 10 de agosto deste ano, o Mundial Universitário de Rugby Sevens. A sede do torneio será em São José dos Campos, reconhecida como a capital nacional do rúgbi, e cuja equipe, o São José Rugby Clube, é uma das mais importantes do país. Fundado em 1987, o clube está longe de ser um dos mais tradicionais da modalidade, e este fato é o que mais impressiona, provando que a força conjunta de investimentos de iniciativa pública e privada faz enorme diferença.

Mesmo com a ainda inexpressiva aderência de fãs brasileiros, o rugby é, de acordo com a Confederação Brasileira de Rugby (CBRu), o esporte que recentemente mais cresce no território nacional. Essa expansão ajuda a despertar cada vez maior curiosidade dos jovens para o esporte, muitas vezes interessados em conhecer novos desafios e experiências, já que o futebol, principalmente, já apresentou há tempos seu ponto de saturação, pois não tem mais para onde se expandir.

Luis Gustavo Demetrio, atleta de rugby da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH USP) e também voluntário de uma ONG que ensina o esporte para crianças da periferia de São Paulo, credita a essa recente expansão diversos fatores, como o aparecimento atual do esporte na grande mídia nacional. Em 2011, por exemplo, o canal SporTV transmitiu para todo o Brasil a final do campeonato brasileiro da modalidade. Além do mais, Gustavo confia que o fato de a International Rugby Board (IRB), a “FIFA do rugby”, começar a investir em nosso país já tem causado resultados. “Vi este investimento de perto quando a nossa ONG, a Panoá, visando profissionalização, pediu ajuda à CBRu, que nos encaminhou um educador da IRB para assessorar nossos monitores”, assinala o atleta.

O rugby pode não ser tão conhecido pelo Brasil, já que é jogado, sobretudo, nos países de língua inglesa, mas é no ambiente universitário em que ele floresce e se enraíza cada vez mais. Muito provavelmente, a Universidade de São Paulo é o local no país onde mais se pratica o esporte. É o que acredita Thiago Navarro, auxiliar da seleção USP de rugby masculino em 2013, embora desconheça um número aproximado de atletas da modalidade dentro dos campi. “Se formos analisar, o mundo inteiro já conhecia o rugby. Charles Müller não trouxe apenas o futebol para cá, mas também o rugby. Não sei explicar o porquê de um ser o esporte absoluto do país e o outro um desconhecido, tido como alternativo”, explica Thiago. Assim como Gustavo, o ex-auxiliar assegura ser de responsabilidade das grandes emissoras o recente interesse pelo esporte em terras tupiniquins, e pontua que ele foi alavancado pela transmissão da ESPN nacional da Copa do Mundo de Rugby. Mesmo sendo ambos canais da TV paga, é incontestável o impacto ocasionado por esse tipo de ação.

Rugby na USP: a modalidade em ascensão

O rugby e o golfe se tornarão esportes olímpicos nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016. A modalidade a ser disputada nas próximas Olimpíadas é a de sete jogadores, conhecida como Rugby Sevens. O fato já empolga amantes do esporte desde o anúncio da inclusão, que compreendem ser esta uma oportunidade para seu crescimento global. Sua expansão por aqui, aliás, agora se mostra tão significativa que é possível notá-la em um curto período de tempo. A técnica da seleção USP de rugby feminino, Raquel Kochhann, diz perceber a diferença: “estou trabalhando com o rugby na USP há uns cinco meses e já notei um grande aumento no número de praticantes. Percebo mais pelo feminino, pois infelizmente não consigo acompanhar o masculino, embora sua quantidade deva ser muito maior”.

Bola utilizada no Mundial de 2012, no Porto(POR), em que o Brasil conquistou uma prata.

Bola utilizada no Mundial de 2012, no Porto(POR), em que o Brasil conquistou uma prata.

Perguntados sobre o que levaria os atletas a despertar um apreço tão grande por esse esporte, todos foram consensuais: o rugby é diferente! “É uma modalidade de valores, que reconhece a importância do coletivo. Acredito que seja este um dos principais motivos pelos quais os praticantes se apaixonam. Além do mais, após as partidas existe o terceiro tempo, um momento de confraternização, em que a equipe anfitriã oferece comidas e bebidas para o time adversário, levando ambos a interagirem e comemorarem a alegria do esporte”, explica Raquel. O terceiro tempo é uma particularidade citada orgulhosamente por qualquer atleta ou fã do esporte. “É um momento tradicional no rugby”, anota Gustavo, “e serve para festejar e apagar qualquer desavença que ficou no campo”. Outra palavra usada constantemente para descrever essa singularidade é: paixão. Esta, por sinal, é um dos valores do rugby, acolhidos com afinco por seus adeptos, ao lado de integridade, respeito, solidariedade e disciplina.

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Em vários torneios universitários, entretanto, os jogos de rugby são apenas demonstrativos, não contando pontos para a classificação das equipes. Algumas pessoas dão como razão a aparente falta de infraestrutura e pelo insuficiente número de participantes nas faculdades, considerando que a maioria das escolas tem dificuldades em encontrar um simples campo compatível para se realizar um campeonato. Outras acreditam que seja preciso apenas o apoio de organizadores, e que a ideia das partidas demonstrativas seja difundir a modalidade e atrair novos praticantes. Outro fator, além dos últimos, tem de ser levado em consideração: todos os outros esportes são praticados nas escolas, facilitando sua adesão e a compreensão das regras e do modo de jogo.

Enquanto os atletas brasileiros vivem todos esses percalços, o Mundial Universitário se aproxima, e a representação nacional no torneio divide opiniões. Ainda que boa parte dos atletas da seleção principal seja também estudantes e haja grande empenho dos anfitriões em demonstrar a evolução do rugby por aqui, a conjuntura geral não é muito favorável. O fato de os jogadores brasileiros começarem a praticar o esporte somente na faculdade e a distinta cultura do rugby em outros países pesarão contra o Brasil. A lacuna na qualidade técnica é ainda abissal e uma boa colocação talvez esteja fora de nossa realidade. No entanto, ninguém nega que haverá muitos frutos a colher com a interação entre equipes. “Será uma experiência única. Nossos jogadores crescerão e aprenderão muito com os jogos”, conclui Thiago.

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