Planejamento para um atletismo campeão

por • 15 de agosto de 2014 • Editoriais, IndividuaisComentários (1)1257

Por Júlia Moura | Jornalismo Júnior

 

  Como os técnicos planejam seus treinos? Quais fatores interferem nesses planos? Em entrevista com os treinadores Fábio Kovach  e Fernando Okano descobrimos como eles administram os planos para o maior grupo de atletismo da USP. Além das dificuldades por conta da greve, eles contam como são organizados os treinos de oito faculdades, em conjunto,  e os planos para o time com o BIFE à vista. Fábio é formado pela EEFE/USP, com bacharel em esporte e Fernando pela FMU, em Educação Física, com licenciatura e bacharel.

Como são os planejamentos semestrais?

  Fábio e Fernando: Fazemos dois ciclos ao ano. A base do treinamento para o BIFE começa nas férias, para que no momento da competição os atletas estejam com o nível forte, de alta intensidade. Ele começa na primeira semana de julho, mas alguns atletas optam por começar uma semana antes.

O planejamento varia conforme a faculdade?

  Fábio e Fernando: Nós usamos uma base parecida para todas, com pequenas diferenças. Temos dois picos anuais, no 1º e 2º semestre.  Às vezes alguma turma, tem uma competição alvo antes das outras faculdades, aí nós fazemos algumas pequenas alterações no treinamento. Mas a base é bem próxima de todos, para o grupo treinar bem junto.

A ECA tem grandes chances no atletismo do BIFE?

  Fábio e Fernando: A ECA, esse ano, está com um grupo bem legal, com um nível bem mais forte e vai brigar pela liderança. O planejamento para a ECA, em médio prazo, de um a dois anos, é de favorita, com altas chances de ser campeã.

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Atletas da ECA na Copa USP deste ano. Crédito: ECAtlética

Qual a principal prova da ECA nesta competição?

  Fábio e Fernando: Todas, não tem principal. Nós temos que pontuar. O foco é aumentar a quantidade de atletas, o que está acontecendo, além de solidificar o grupo e criar identidade. Os Diretores de Modalidades (DMs) estão desempenhando esse papel e os próprios atletas estão se mobilizando. Ainda não está da forma que eu gostaria, mas nós tentaremos, neste segundo semestre, fazer com que o grupo se conheça bem e ganhe identidade e que cada um saiba seus objetivo principal e o do grupo. No primeiro semestre a tarefa foi ganhar mais atletas, o que nós conseguimos bem. Agora falta formar esta relação forte entre o grupo.

A greve, que fez com que o CEPE USP (Centro de Práticas Esportivas da Universidade de São Paulo) fechasse, prejudicou os treinos? Como vocês estão desenvolvendo os treinos desde então?

  Fábio e Fernando: Sim, prejudicou bastante. Nós fazemos os treinos como todas as outras vezes em que houve greve. Nós estamos treinando na rotatória do Relógio de Sol, próximas ao CEPE. O problema é a comunicação com os atletas sobre a mudança. Além disso, muitos ficam desmotivados por terem que treinar na rua e outros optam por outros lugares. Os primeiros treinos de greve são mais vazios, mas aos poucos o grupo aumenta. Tem ano, que mesmo em greve, o grupo aumenta, por conta da divulgação. Ao treinar na frente das faculdades, mais pessoas se interessam. Esse ano, como estamos na rotatória, teve menos pessoas. Isso sem falar da Copa e das férias.

E o planejamento teve que ser alterado por conta dessa mudança?

  Fábio e Fernando: Sim, os treinos tiveram que ser alterados. A parte de força, não conseguimos mais fazer. Assim, tiveram mudanças logísticas e levamos alguns atletas para treinar em outros lugares. Os atletas que não estão treinando, há um bom tempo  por conta da greve, terão seus resultados seriamente afetados pela falta de continuidade, impactando o grupo.

  A greve atrapalhou muito o treino de saltos também. Não temos mais estrutura. E fazer no chão e no gramado pode acabar prejudicando o joelho.  Então fazemos exercícios adaptados com um treino diferenciado, já que não podemos executar a parte final do salto.

Como os treinadores fazem o planejamento?

  Fábio e Fernando: Nas férias, antes do inicio de todo semestre, nós (os treinadores) fazemos uma reunião técnica. Nela, nós pegamos o feedback do semestre anterior, o que foi bom e o que não foi, sugestões e o que deu errado,  nós analisamos tudo e implementamos alterações para o próximo ciclo. Nós já temos o planejamento montado para o ano inteiro, mas o alteramos conforme o que ocorre nos semestres. Nós temos conversas não só nas férias, mas também durante o semestre.

  Depois dessa reunião técnica, temos uma reunião com os DMS de todas as faculdades, individualmente, para passarmos o planejamento, além da parte específica do grupo, a parte individual de cada faculdade, o que inclui as próprias reuniões e eventos, com a finalidade de criar identidade.

E como é o contato com os DMs no decorrer do ano?

  Fábio e Fernando: Essa conversa deveria ser mais assídua, mas não temos tanto contato quanto gostaríamos. Nós tentamos marcar datas pré-estabelecidas para reuniões. A falta de contato atrapalha muito o grupo, especialmente com relação à atlética de cada faculdade. Às vezes a atlética não sabe como o grupo de atletismo está e vice-versa, o que pode gerar problemas que não deveriam ocorrer.

Vocês improvisam muito nos treinos?

  Fábio e Fernando: Sim, mas sempre baseados no planejamento. Por exemplo, o treino de tração, por conta da greve, fazemos empurrando um carro e se não tiver carro, o fazemos na rampa. São pequenas alterações, como quando vemos que o treino não está rendendo e o mudamos na hora. Essas alterações acontecem mais na parte técnica. Como nas férias temos menos atletas, conseguimos dar mais atenção individual, assim adaptamos o treino para cada um. Se percebermos que ele precisa focar mais em tal ponto, mudamos o treino conforme a necessidade, fugindo um pouco do que foi programado.

Quais faculdades vocês treinam?

  Fábio e Fernando: ECA, FAU, FFLCH, Odonto, Farma, e as que não têm grupo consolidado, como Química, Psico e FOFITO, que tem poucos atletas.  O plano é juntá-las para formar um grupo entre elas, e assim crescerem e ganharem independência. Às vezes quando uma equipe cresce muito, separamos um treino só para essa faculdade.

 

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One Response to Planejamento para um atletismo campeão

  1. Flavia Góes disse:

    Muito bom, excelente escolha de perguntas. Há, evidentemente, um trabalho apurado da autora em esculpir o texto , sem deixar que arestas indevidas se formem. Além disso, a forma como o texto se desenvolve demonstra maestria no quesito organizativo. Parabéns à revista Beat pela publicação e à autora, Julia Moura, pelo artigo.

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