basquete usp

No basquete por destino

por • 7 de agosto de 2014 • Basquetebol, PerfilComentários (2)2213

Corinthians, Palmeiras e… Basquete USP: a história de Flório Joaquim, um dos principais destaques da modalidade no esporte universitário.

Por Matheus Sacramento | Jornalismo Júnior

Flório Joaquim é um dos melhores jogadores de basquete da USP, embora não admita. Sua história é extremamente interessante não só no universitário, mas também nas categorias de base. Há muito no time da Escola de Educação Física e Esportes (EEFE USP), ele revelou que nem sempre foi tão íntimo do aro e da cesta.

Surpreendentemente, quando criança, seu esporte preferido era o futebol. “Até uns 10 anos de idade eu nem sabia muito o que era basquete”. Foi quando começou a assistir a NBA (liga de basquete estadunidense), na TV Bandeirantes, e tudo mudou.

Nessa época, sua escola organizou um campeonato interno de basquete. E o menino se destacou, talvez por ver os grandes astros na TV. Mesmo estando na quinta série, seu time foi campeão, vencendo os garotos mais velhos.

A história de Flório no basquete poderia ter parado por aí, não fosse uma das armações do destino. O pai do garoto assistiu ao campeonato através de uma fresta, que dava visão à quadra da escola. Imagine um pai, bisbilhotando um campeonato interno e vendo seu filho ser campeão… Incrível! Logo ficou empolgado e sugeriu que Flório participasse de uma peneira – aqueles testes para selecionar os futuros jogadores de clubes.

A princípio, o garoto relutou: “Não queria, jogava futsal na época”. Mas o pai convenceu o filho, que fez o teste e passou – no Corinthians. Em seu primeiro ano, não largou o até então esporte favorito: intercalava treinos de futsal e basquete. Porém, mais uma vez, o pai interferiu na sua vida esportiva. Para o bem.

Leia mais:

12 situações que só quem joga basquete já passou | Revista BEAT
Não deixe que os estudos atrapalhem o seu basquete | Revista BEAT

 

Na única vez em que o pai o viu jogando futebol, percebeu que o menino não levava jeito com a bola nos pés. “Você não seve para jogar futebol, para com isso”, contou Flório, em tom de brincadeira. O incentivo ao basquete foi cada vez maior desde então. Ia aos treinos com o garoto, ficava pegando bolas, ajudando a arremessar. “Tive uma evolução muito grande de um ano para o outro. Acabei indo para o basquete”.

No Palmeiras, Flório tinha companhia ilustre – mesmo que na época ele nem desconfiasse. Leandrinho Barbosa, hoje jogador da NBA, também atuava lá, embora em duas categorias acima. No colégio, os dois estudavam na mesma sala! “Eu não imaginava que ele iria se tornar o que se tornou, sabe? Mas ele treinava muito. Era muito esforçado, determinado. Admiro isso nele. Mereceu chegar onde chegou”. Além de Leandrinho, também treinou com Marquinhos, jogador do Flamengo e da Seleção Brasileira.

Flório (esq) jogou com o craque Leandrinho (quarto da esq. para a direita) no colégio

Flório (esq) jogou com o craque Leandrinho (quarto da esq. para a direita) no colégio

Se Leandrinho é uma fera no nível profissional, Flório não fica muito atrás em se tratando de universitário. Conquistou duas camisetas de cestinha (Copa USP e Jogos da Liga) e uma de destaque – série laranja, pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH USP). É considerado um dos grandes jogadores de basquete da USP, ainda que ele negue, modestamente. “Não me considero. Cestinha do campeonato não quer dizer, necessariamente, melhor jogador”. Com 29 anos, está em seu nono ano no esporte universitário, e joga como ala-armador. Suas melhores qualidades são a velocidade, o contra-ataque e as bolas de três.

A grande atuação individual de Flório na carreira foi contra a TecMackenzie. Anotou 38 pontos, seu recorde. Quanto à atuação coletiva, Flório se lembra de uma partida especial, no Interef (inter de Educação Física), contra a Universidade São Judas. “Os caras eram muito bons. Tinham dois e pouco de altura, nem sei se chegaram a cursar a faculdade. Poderiam jogar a nível profissional. Quem visse uma foto de cada time antes do jogo, sem dúvidas, não apostaria na gente. Foi um jogo sensacional. Ganhamos faltando poucos segundos para acabar. No jogo seguinte, ainda ganhamos do desafeto nosso, o Mackenzie”.

Assim como muitos atletas universitários, Flório poderia ter se tornado profissional. Mas houve um momento chave em sua vida, no qual ele decidiu pelo caminho dos estudos. Com 18 anos, em seu primeiro jogo pelo juvenil, o diretor do Corinthians avisou que não haveria time naquele ano. Sem equipe, aceitou o convite para jogar no círculo militar. “Era meu último ano de colégio. O time era ruim. No ano anterior, tinha sido vice-campeão estadual. Não tive um bom desempenho. Foi um empurrãozinho para parar”. Além disso, seu pai, que sempre o apoiou no basquete, aconselhou-o a aproveitar o esporte para conseguir uma bolsa de estudos.

Terminado o colégio, recebeu a bolsa na UniSantanna. A partir daí, Flório decidiu estudar. Depois de dois anos, passou na EEFE USP, onde se graduou e fez mestrado, pesquisando o tema “Seleção e detecção de talentos”.

Flório Joaquim é mais um apaixonado por esporte que, na impossibilidade de se tornar profissional, realizou-se nos estudos e no esporte amador universitário. Porque amador nada mais é do que quem ama.

Ama o esporte.

 


Posts Relacionados

2 Responses to No basquete por destino

  1. Luiz Negretti disse:

    Bacana a matéria!
    Agora podia se motivar e vir treinar um pouquinho com a gente, né Vanderlei? (como é bandeijeiro, chamamos ele carinhosamente assim nos jogos da EEFE-USP, kkkk)
    Grande abraço!
    Coach

  2. Andrea Rosa disse:

    NOSSA FLORINHO pensei q a peneira do corinthians eu q tinha te levado e nos treinos tb. Não fui citada em nenhum momento. Te apoiei tanto q pensava ter contribuido. Mas blz estou muito feliz pela materia e pelo seu sucesso. Lembro q uma vez qdo eu jogava universitário epoca Fupe onde vc foi muitas vezes me ver jogar. Falei para vc jogos universitarios é tudo de bom. E hj fico feliz vendo a sua projeção parabéns.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *