Uma vida dedicada ao esporte universitário

por • 26 de agosto de 2014 • Futebol de campo, Futsal, PerfilComentários (2)1659

Filho de treinador, treinador é? Confira a trajetória de Américo Falopa, técnico de goleiros de diferentes equipes do esporte universitário.

Por Paula Thiemy | Jornalismo Júnior

Tal pai, tal filho. Esse clichê nem sempre se aplica e quando condiz com a realidade, dificilmente é tão verdadeiro como no caso no treinador de goleiros Américo Falopa. Filho do treinador Marcos Falopa, parece que desde o nascimento o caminho pelo meio esportivo já estava traçado. O filho, mesmo quando criança, já acompanhava o pai – que é treinador desde as décadas de 1960 e 1970 – no trabalho, o que despertou seu interesse pelo esporte. Apesar do desejo da mãe de que Américo cursasse engenharia, a vida já havia decidido por ele muito antes de qualquer questionamento sobre o futuro.

Como a grande maioria dos garotos, o contato com o futebol veio logo na infância, não só pela profissão do pai, mas pela própria prática do esporte que é tão comum nessa idade. O resultado não poderia ser diferente: depois do ensino médio, Américo iniciou os estudos em Educação Física na FMU. A conclusão do curso aconteceu apenas em 2010, já que constantemente era necessário trancar devido a viagens ao exterior, principalmente em razão do trabalho. Sim, trabalhos em outros países para um estudante ainda não formado, mas que já entendia muito bem sobre o assunto.

Américo e o pai, Marcos, na Arena Corinthians - Crédito: Américo/Arquivo pessoal

Américo e o pai, Marcos, na Arena Corinthians – Crédito: Américo/Arquivo pessoal

A carreira internacional começou antes da nacional. Em umas das viagens que fez para visitar o pai, que era diretor técnico na Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf), Américo foi convidado por um técnico para ajudar no treinamento das goleiras da equipe feminina sub-17 de Trinidad e Tobago, que estava se preparando para disputar o  Pan-Americano de Winnipeg (Canadá), em 1999. Depois disso, não parou mais. Passou por times em outros países como África do Sul, Guiana e Índia, neste último levou a família toda e foi o primeiro emprego no qual trabalhou com o pai. A Guiana tem um espaço especial no coração, afinal, com a Seleção do país ele disputou as eliminatórias para Copa do Mundo de 2014, apesar de não ter conquistado a vaga. “Foi sensacional. Não ter conseguido vir pra cá foi duro, mas a experiência foi incrível”. Por aqui, trabalhou com o time feminino do Corinthians e nas categorias de base do São Paulo.

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No ramo universitário, o começo está há quatorze anos. Em 2000, foi convidado por Sandro Orlandelli, que era olheiro no Arsenal e hoje está no Santos, para trabalhar como treinador de goleiros na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP). Trabalhou ali em torno de três anos e depois foi para a Escola Politécnica (Poli/USP), onde está até hoje e pela qual não esconde seu carinho mais que especial. Ali, diz ter passado por momentos muito importantes para sua vida profissional e pessoal. “O time de futebol de campo da Poli não ganhava o Inter USP há muito tempo, e conseguimos esse título. Em 2013, o time de futsal masculino ganhou o InterU e o InterUSP. Foi o melhor ano para a equipe. Além disso, o time de futsal feminino levou o título do InterUSP em 2011, o que foi uma conquista muito importante, suada e necessária, já que tinha acabado de ser rebaixado na Copa USP”, conta.

Depois de entrar no mundo do esporte universitário, Américo não saiu mais. Na realidade, está cada vez mais envolvido. Já foi treinador de goleiros do time da Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e também dos alunos da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Atualmente, na Universidade de São Paulo, trabalha com as equipes das seguintes escolas/faculdades/institutos: Escola Politécnica (feminino e masculino), Instituto de Biociências (feminino), Instituto de Física (masculino), Faculdade de Ciências Farmacêuticas (masculino), Escola de Educação Física e Esportes (masculino e feminino), Faculdade de Direito (masculino e feminino), além da Seleção USP feminina. E será que é possível encaixar isso tudo na agenda? Segundo ele, sim. “Algumas equipes treinam juntas, facilitando o encaixe de horários e deixando os treinos mais prazerosos e soltos, sem contar que um pode aprender muito com o outro. É troca de informação sempre”.

Na companhia dos atletas - Crédito: Américo/ Arquivo Pessoal

Na companhia dos atletas – Crédito: Américo/ Arquivo Pessoal

Pela quantidade de times treinados por Américo, não é difícil imaginar a importância crucial do goleiro para o time, cuja função não se restringe apenas para defender o gol. “Hoje em dia o goleiro é um atleta a mais na quadra para aliviar uma situação de tensão, além de ser um a mais para usar na parte tática. No futsal ele participa efetivamente, seja na construção de jogadas com a saída de bola ou também para usar os pés e, dependendo do adversário, sair em vantagem numérica na parte ofensiva da quadra”, conta o treinador. A importância do goleiro é tanta que eles iniciam os trabalhos antes dos outros atletas do time, dedicando até um tempo do período de férias para os treinos. “Nas férias o treinador de goleiros acaba tendo mais tempo com os atletas para acertar alguns pontos e um tempo a mais para conversar, também”.

Para treinar todas essas equipes e tentar sempre melhorar o desempenho das mesmas, Américo relembra os treinos que fez na infância e tenta aplicá-los. Também troca informações com outros treinadores e lembra que tem na própria família um ótimo exemplo e conselheiro. “Troco experiências com meu pai sempre que possível. Mantenho esse contato profissional pela reciclagem e pela bagagem que ele tem. Mando vídeos, comentários, trocamos informações”, revela. O pai, Marcos Falopa, ainda trabalha como diretor técnico.

Por enquanto, Américo pretende concentrar os projetos atuais e futuros no Brasil, principalmente pela solidez do trabalho que está desenvolvendo e pela convivência com a família, mas reconhece: “no Brasil as coisas são mais difíceis”. Apesar disso, o amor pelo que faz o mantém desenvolvendo seu trabalho.

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2 Responses to Uma vida dedicada ao esporte universitário

  1. Ana disse:

    Estudei na Poli, sei da carga horária e do pouco tempo que os alunos tem para treinar, então para obter resultados no esporte o técnico tem que ser realmente bom: treinos objetivos e eficientes!!!
    Parabéns, Américo, pelo seu trabalho e sucesso!!!

  2. maria fabiano disse:

    Parabens carissimo Americo.vc tem muito potencial ,paixao e dedicacao. Todos sabem q sua infancia foi nos campos d futebol da arabia,qatar bahrain e africa? O mundo eh seu campo d futebol. Vai la garotooo.

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