Os segredos de um time que vale ouro

por • 11 de julho de 2014 • Handebol, Jogo a JogoComentários (0)1381

Por Paula Thiemy

 

 

A vida de atleta não é fácil. A do atleta universitário, que precisa encaixar os estudos no meio de treinos e competições, é ainda mais puxada. Mas quem disse que eles reclamam do esforço? Na verdade, o amor pelo esporte supera qualquer desafio, e de desafio o time de handebol feminino da Escola de Comunicações e Artes (ECA) entende.

Sob o comando de Renata Antunes, que começou como técnica em 2011 no Instituto de Matemática e Estatística (IME), o time precisou de uma rápida mudança. Há quase um ano, ela chegou à equipe que tinha como principal objetivo ganhar o BIFE 2013. Renata teve apenas três meses para trabalhar rumo a essa meta, que foi atingida com louvor em uma disputada final com a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). Como? Apostando em um novo esquema que estava pautado em uma defesa forte.

O esquema tático mais utilizado e trabalhado nos treinos para o momento da defesa tem sido o conhecido como 5 x 1. Nele, cinco das seis jogadoras de linha ficam próximas à linha dos 6 metros (aquela que delimita a “área do gol”) e uma posicionada perto da linha dos 9 metros (a pontilhada entre o gol e o meio de quadra). As defensoras que ficam nas pontas são chamadas primeiras, as que ficam mais para dentro são as segundas e a que fica no meio é a base, que é como uma xerife da defesa, fazendo a comunicação com todas as outras e quem, no caso de algum erro ou problema, tentará resolver. A atleta que fica mais a frente das outras é conhecida como bico, quando fica mais próxima ao centro da quadra tem como função atrapalhar a central do outro time e partir para um rápido contra ataque se tiver oportunidade. Agora, se estiver mais perto da defesa, tentará atrapalhar o ataque diagonal do adversário.

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As segundas marcadoras podem flutuar (sair para marcar a adversária correspondente a sua posição) mas logo após devem voltar para seu lugar na linha. Assim, evita – se que haja qualquer espaço para o outro time atacar – principalmente se for um adversário ágil. Apesar de ser o esquema mais frequente nos treinos, ele muda de acordo com o oponente. Para saber qual a melhor maneira de organizar a equipe em determinado jogo, a técnica sempre se informa principalmente através de vídeos, avaliando individual e coletivamente as integrantes do outro grupo. Segundo ela, filmar o próprio time também é ótimo para a correção de eventuais erros.

É impossível falar sobre a defesa sem lembrar das goleiras, e no caso do handebol feminino da ECA elas fazem toda a diferença. “É difícil achar no esporte universitário um time com três goleiras boas. Duas das nossas três tem uma ótima qualidade técnica. A terceira chegou agora, mas já está evoluindo bastante. Além disso, elas são uma família a parte, sempre se apoiando para aliviar a pressão causada por jogarem nessa posição”, conta Renata. O grupo contava com um preparador de goleiras, mas por incompatibilidade de horários estão a procura de outro preparador.

A defesa forte é crucial, mas o ataque também é importante. No handebol, os times trabalham em blocos: todos os jogadores da equipe na defesa ou todos no ataque. Em busca de mais conquistas, a orientação da técnica ecana é, basicamente, que as atletas circulem na área próxima ao gol adversário, movimentando-se bastante para tentar confundir a defesa. Além disso, ela reconhece a necessidade do rápido contra ataque em alguns momentos, mas atenta para o “tempo de ataque”, no qual é importante trabalhar a bola com calma até chegar ao objetivo principal do jogo: fazer gols.

BIFE-HF

crédito: ECAtlética

Quando perguntada sobre a atleta indispensável para o esquema tático utilizado, a técnica prefere evitar que os holofotes se voltem apenas para uma integrante do time. “A cada partida meninas diferentes vem se destacando. Uma sempre dá um feedback pra outra durante o jogo, e isso é muito bom, afinal, elas não conseguem me ouvir o tempo todo quando estão em quadra”.

Uma prova de que todo o trabalho está trazendo bons frutos é que o ano universitário começou há apenas três meses mas as as meninas já trouxeram uma conquista importante para casa: o segundo lugar no Jogos Universitários de Comunicação e Artes 2014 (JUCA). O evento aconteceu entre os dias 1° e 04 de maio em Registro – SP. Antes da final passaram por outros dois jogos, contra a PUC – Campinas e a Belas Artes, mas já sabiam que seriam jogos tranquilos (o que foi comprovado pelos placares com diferença de, no mínimo, doze gols). Não conseguiram passar pelo time do Mackenzie na final, porém saíram satisfeitas com o jogo que foi bem disputado e no qual todas sabiam terem dado o seu melhor. Agora, começarão a disputar o InterU, campeonato anual que vai até dezembro, e os Jogos da Liga USP, que provavelmente durarão até o fim do ano. Em novembro, vão novamente atrás do maior objetivo do segundo semestre: ganhar o BIFE.

 

 

Crédito foto de capa: ECAtética

 

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