O pré e o pós treino do atleta que não come carne

por • 6 de junho de 2014 • Saúde & AlimentaçãoComentários (0)6525

Como conciliar uma dieta vegetariana e prática esportiva sem comprometer a qualidade de vida?

Por Mariana Miranda

A prática de exercícios físicos é parte essencial na rotina daqueles que procuram uma boa qualidade de vida. Combinado com uma dieta balanceada, o praticante pode conquistar tanto um corpo quanto uma mente saudável, tornando o seu dia-a-dia muito mais prazeroso. Algumas pessoas optam por seguir dietas vegetarianas, nas quais as carnes não são presentes. As proteínas, contudo, são parte importante das dietas de todos, principalmente daqueles que praticam esportes. Então, até que ponto as atividades físicas dos vegetarianos estão comprometidas?

Stella Bonici é vegetariana há três anos e meio e corre no mínimo três vezes por semana, de 30 minutos a uma hora. Stella conta que se alimenta tanto antes como depois do exercício físico. “Eu tomo café da manhã, então como uma fatia de pão integral com requeijão light e café com leite desnatado. Depois do treino eu como banana, ou alguma outra fruta, com linhaça dourada e aveia”, diz. Luiza Noia, atleta de Handebol da FAU-USP, é vegetariana há seis anos e, apesar de nunca ter tido um acompanhamento de nutricionista, considera importante o consumo de alguns alimentos, ainda que não tenham a proteína da carne. “Eu como bastante ovo, proteína de soja e também muitos grãos, e sou bastante preocupada com a alimentação”, relata.

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Crédito: Daniela Lisboa

De acordo com Adriana Carrieri, estudante do último ano de Nutrição na USP, os alimentos a serem recomendados dependem dos hábitos alimentares, da necessidade energética individual e da intensidade do treino. “A refeição que antecede os treinos deve ser rica em alimentos fonte de carboidratos, que fornecem energia para a atividade física e evitam que as proteínas do músculo sejam utilizadas como substrato energético durante o treino. Como a ingestão desses alimentos é bastante comum entre os vegetarianos, a alimentação pré-treino não costuma ser um problema”, explica. Stella relata que já correu com o estômago vazio, e a sensação que teve após a corrida foi ruim.“É importante tomar café para não dar fraqueza. Além disso, comer antes do treino faz com que seu organismo metabolize melhor, então o gasto calórico é melhor”.

Para a estudante Luiza Noia, a maior dificuldade em ser vegetariana e atleta é a correria do dia-a-dia e a falta de opções, que muitas vezes impossibilitam uma alimentação mais balanceada. “Quando estou em casa consigo preparar e levar o lanche para comer durante o dia. Porém, o maior problema é encontrar locais de comida vegetariana na correria do dia-a-dia, pois em restaurantes usuais geralmente a carne é a única proteína oferecida”, conta.

Segundo Adriana, o problema é na refeição pós-treino do vegetariano. “Após o exercício, a proteína passa a desempenhar um papel mais importante, pois a síntese de proteínas musculares aumenta após a realização da atividade física”, conta. Aqueles que são ovolactovegetarianos, ou seja, que consomem ovos, leites e derivados, podem investir nesses grupos de alimentos como fonte proteica no pós-treino. Já os veganos podem consumir alimentos no grupo dos feijões, se possível combinados com cereais integrais ou proteínas texturizadas de soja e seus derivados. Após seus treinos, Luiza não costuma jantar, já que eles geralmente acabam muito tarde. “Eu tomo suco, água ou como apenas uma fruta”.

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Crédito: Daniela Lisboa

Mesmo não comendo carnes, os vegetarianos podem obter um bom condicionamento físico, basta ter disciplina e procurar um bom acompanhamento nutricional. “Apesar da grande importância das proteínas depois do treino, cabe ressaltar a relevância de uma refeição completa, contemplando os alimentos fonte de todos os nutrientes – carboidratos, gorduras, proteínas, vitaminas e minerais- além da ingestão de líquidos, que é fundamental”, acrescenta Adriana.

 

 

Crédito foto de capa: Daniela Lisboa

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