Um farmacêutico dos campos

por • 3 de junho de 2014 • Perfil, RugbyComentários (2)2509

Esportista desde criança, Lucas Croffi joga pela seleção brasileira de Rugby há três anos.

 

Por Mariana Miranda

Paulistano e com 27 anos, Lucas Croffi é estudante do curso de farmácia da USP desde 2006 e jogador de Rugby. Sempre interessado pelas áreas de biologia e química, ele também tem uma forte relação com o esporte: pratica desde criança e jogou basquete pelo Palmeiras,  continuando na faculdade. Até 2008, seu esporte era apenas o basquete, mas foi nesse ano que resolveu se arriscar no handebol e no Rugby. Entretanto, a carga horária de treinos o sobrecarregava, fazendo com que tivesse de tomar uma escolha: basquete ou Rugby? E a decisão final foi, para a sorte da Seleção Brasileira, o Rugby. “No começo eu consegui conciliar o basquete e o Rugby, porém com o passar do tempo acabei ficando apenas com o Rugby. Jogo basquete esporadicamente com alguns amigos”, conta o estudante.

O Rugby atraiu Lucas ainda na graduação: ele deixou as complicadas equações químicas um pouco de lado para vestir a camisa da atlética. “Comecei  a jogar no terceiro ano. Alguns amigos me convidaram para treinar e resolvi ir. O que me chamou a atenção foram o espírito de equipe e o respeito que se deve ter para com os companheiros e adversários. No ano de 2010 decidi me dedicar inteiramente ao rugby e foi quando comecei a treinar também no clube Pasteur”.

Por ser um esporte coletivo de intenso contato físico, muitos consideram o Rugby violento. Contudo, Lucas pensa diferente: “O Rugby é um esporte de contato e é muito duro, mas preza pela segurança do atleta e pela lealdade entre os jogadores adversários. Como todo esporte de contato, é normal que haja algumas desavenças entre os jogadores dos times opostos, mas está longe de ser um esporte violento”.

Apesar disso, ele já se machucou feio. Em maio do ano passado, no campeonato Sulamericano contra o Chile, Lucas se jogou na bola para marcar o Try (quando o jogador apoia a bola com uma das mãos no solo após a linha dos postes, ou seja, a área de validação adversária, marcando 5 pontos), porém caiu de mau jeito e lesionou o ombro: “Operei já faz alguns meses dessa lesão e estou me recuperando. A previsão de voltar a jogar é nesse ano”.

Lucas tem uma coleção de campeonatos em que participou, como o InterUSP, o Paulista Universitário, diversas competições de Seven e de 10-a-side, o Paulista A e Brasileiro pelo Pasteur Athlétique Club, além de dois Sulamericanos e um quadrangular em Dubai, pela Seleção Brasileira. Sobre sua participação na Seleção, ele diz: “Fui chamado em 2010. Na verdade fui convidado a fazer um treino-teste um pouco antes do Sulamericano daquele ano. Fui ao treino e os técnicos gostaram, e desde então faço parte do grupo”.

Além de seguir uma dieta recomendada pela nutricionista, Lucas faz academia e treina para a Seleção em alguns finais de semana e também no clube – duas vezes por semana, com duração de duas horas cada treino. “Atualmente consigo ir aos treinos da Farmácia menos do que gostaria, pois também jogo no Pasteur e tenho os compromissos com a Seleção Brasileira, mas sempre que posso vou para ajudar o time. Esse ano provavelmente jogarei meu último InterUSP, pois tenho previsão de me formar no 1º semestre” diz.

Crédito - Claudio Franceschini

Lucas jogando pelo Pasteur –  Crédito: Claudio Franceschini

O atleta também teve que fazer algumas mudanças de hábitos para melhorar seu desempenho no esporte: “A primeira coisa que fiz foi largar o cigarro, pois o Rugby exige bastante condicionamento físico do atleta. Além disso, comecei a me preocupar mais com a preparação física e com a minha alimentação”, conta.

Toda essa dedicação é para que o atleta tenha o melhor rendimento possível na posição em que joga: na segunda linha. “Para jogar nessa posição, os jogadores devem ser altos, ter um peso considerável e bastante força nas pernas e tronco”, explica.

Com o sonho de ver o Rugby brasileiro entre os melhores do mundo, Lucas acredita que o esporte tem um potencial muito grande, porém os brasileiros, infelizmente, ainda não sabem o aproveitar. De qualquer maneira, o atleta se sente muito grato à sua faculdade, pois foi nela que conheceu a modalidade: “Foi onde aprendi a jogar, mas não só isso, aprendi os verdadeiros valores desse esporte e por isso sou imensamente grato ao time do Farma Rugby. Foi através desse esporte que conquistei coisas que nunca imaginei conquistar e minha faculdade e o Farma Rugby tem grande responsabilidade nisso”, conta.

Se tivesse, porém, que incentivar alguém a conhecer melhor a modalidade e até mesmo a praticá-la, ele diria: “O Rugby é um esporte diferente de todos os outros. Aqui o coletivo está acima do individual, cada um tem seu papel e sua função. Vá a um treino, conheça seus companheiros, você não irá se arrepender”.

Crédito foto de capa: Atlética Farma-USP

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2 Responses to Um farmacêutico dos campos

  1. Manu disse:

    Lucas é um exemplo de determinação e para todas as nossas crianças da base no Pasteur

  2. […] ingressou no curso de Farmácia da USP em 2000 e se formou em julho de 2007. Sua demora para a conclusão da graduação não se […]

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