INTERS UNIVERSITÁRIOS

por • 9 de maio de 2014 • EspecialComentários (1)2029

Por William Nunes e Amanda Manara

 

Entenda melhor os principais objetivos e as dificuldades da organização dos inters universitários, que movimentam a paixão de atletas e torcedores.

   Um dos momentos mais esperados por muitos estudantes logo que ingressam na faculdade é a participação em um campeonato universitário. Em São Paulo, essas competições, mais conhecidas como “inters”, ocorrem geralmente em uma cidade do interior do estado.

   Alguns são realizados entre diferentes faculdades, porém com os mesmos cursos, como o Engenharíadas. Outros abrangem mais de um curso, mas de uma mesma área, como o JUCA (Jogos Universitários de Comunicações e Artes). Esses dois inters são alguns dos mais conhecidos realizados no primeiro semestre. Já no segundo, acontecem outros como os Jogos Jurídicos, o BIFE e o Economíadas, sendo que estes dois últimos foram realizados no feriado de 15 de novembro. A Revista BEAT veio trazer um pouco mais das propostas desses dois campeonatos.

BIFE

   O BIFE teve início em 1999, organizado pelas faculdades de Biologia, Matemática e Estatística, Arquitetura e Urbanismo e Comunicações e Artes da USP. A proposta inicial era fazer um Interusp somente com as “faculdades legais” (a primeira sugestão de nome era “Interlegais”). Isso porque no Interusp também jogam a Medicina, a FEA, a POLI, faculdades que levam o esporte universitário mais a sério. Portanto, um campeonato somente com as faculdades mais “alternativas” teria como principal objetivo a diversão e a integração, acima da competitividade entre os times.

   Assim, Bio, IME, FAU e ECA uniram as ideias e as iniciais dos nomes e organizaram o primeiro BIFE. No início eram apenas 4 faculdades e um ou outro convidado. Com o passar dos anos, o campeonato foi crescendo e hoje conta com 10 faculdades, sendo elas: Biologia, IME, FAU, ECA, Física, Química, FFLCH, Psicologia, Geologia e Veterinária.

   A responsável pela realização desse inter é a Comissão Organizadora montada pelas próprias faculdades, a CO do BIFE. Ela é organizada como uma Atlética, com cargos como tesoureiro, esportivo e secretário. No caso, cada faculdade fica responsável por uma dessas funções: O IME é o tesoureiro, a FAU é secretária e a ECA é DGE (diretora geral esportiva).

   Uma das maiores dificuldades da organização deste campeonato, segundo Gustavo Koga, DGE da atlética do IME, é encontrar a cidade. “Desde que eu entrei no IME, sei que achar uma cidade boa e que comporte o BIFE é uma tarefa difícil. Encontrar alojamentos para os participantes e local para as festas é bem complicado”.

   Já Thalita Cardoso, DGE da ECA, aponta outro problema: “Na realização de um inter como o BIFE, uma das grandes dificuldades é lidar com 10 faculdades. São realidades diferentes dentro de cada atlética, inúmeras restrições e modos de se organizar”.

   Porém, apesar das dificuldades, esse inter possui grande importância para as faculdades participantes, tanto para os atletas quanto para as atléticas ou mesmo para os alunos. “Pra ECA, é a maior e mais importante competição do segundo semestre. O nível esportivo das faculdades é muito parecido, então cada vitória conquistada é muito significativa”, afirma Thalita.

ECA - BIFE5

Crédito: ECAtlética

   No IME, não é diferente. Segundo Gustavo, o BIFE é a competição do ano para os IMEanos. “Mesmo tendo a hegemonia, a cada ano está mais difícil, então o pessoal vai com tudo. A participação e a integração dos alunos aumentou bastante nesses últimos dois anos.” Sobre a hegemonia IMEana, eles venceram 10 dos 14 BIFEs realizados até hoje. Muito atrás em número de títulos está a FFLCH com 2 e a ECA, que também se consagrou bicampeã em 2013.

   Apesar de a principal intenção do campeonato ser a integração entre as faculdades, para os atletas, a questão esportiva também é muito levada  em consideração. De acordo com Leo Henrique Tazawa, atleta do handebol da Veterinária, a Atlética da Vet é bem pequena comparada a algumas outras que participam. “Mas damos muito valor para a parte esportiva! Nosso time de natação e de handebol já foi um dos melhores do BIFE”.

   Sempre há aqueles, entretanto, que vão aos inters apenas para torcer, se divertir e fazer novas amizades. Geralmente, o BIFE realiza 2 ou 3 festas, de acordo com sua duração. Assim, aqueles que não praticam nenhum esporte têm um motivo a mais para ir torcer pela sua faculdade. Segundo Leo, é isso que ocorre na Veterinária. “Aqueles que vão e não participam da parte esportiva são super animados. Somos famosos até por ser uma das faculdades que mais faz festa nos alojamentos e que ganha na criatividade das fantasias”.

   Economíadas     

   Criado em 1991, o Economíadas veio substituir um campeonato anterior que reunia as faculdades de Economia e Administração do estado de São Paulo. Na sua nova composição, este inter inclui também os cursos de ciências contábeis. São 8 as faculdades que disputam o título: PUC-SP, Mackenzie, FEA-USP, FGV, Unicamp, ESPM, FECAP e Insper. Contabilizando os alunos de todas as faculdades que viajam para o inter, a competição consegue levar em torno de 10 mil universitários. Um número alto de visitantes como este colabora também com a movimentação da economia da cidade-sede.

   Para que o inter aconteça, as faculdades participantes devem se mobilizar em conjunto. Todas elas juntas constituem uma liga organizadora, a LAACE (Liga Acadêmica Atlética dos Cursos de Economia). Esta comissão é responsável por diversas decisões, como a escolha da cidade, atrações, logística do evento. Os valores são baseados nos custos gerais da organização. Além das atléticas de cada faculdade, algumas empresas ficam responsáveis pela estrutura do inters, principalmente para fazer as festas acontecerem.

Econo - logo

Crédito: LAACE

   Organizar um inter grande também traz algumas dificuldades. Para Felipe Sena Kobayashi, jogador de Handebol pelo Mackenzie e organizador da LAACE, a principal dificuldade, assim como no BIFE, é arrumar a cidade-sede. “Muitas delas não permitem a entrada dos inters, visto que, além da parte esportiva, sempre existe uma contrapartida social, para que possamos vender os kits para a torcida. Isso sempre aumenta muito o volume de pessoas, bagunça e outras coisas na cidade”.

  Ainda assim, a mobilização entre as Atléticas já conseguiu resolver até a perda de uma cidade-sede uma semana antes do campeonato. Segundo Felipe, todos tiveram que correr atrás de tudo em 7 dias. “E aí você pode imaginar o sofrimento que as atléticas tiveram para realocar um evento de 10 mil pessoas. É como a gente sempre fala: dá certo, mas sempre é sofrido”, desabafa.

   Apesar dos problemas internos enfrentados para fazer acontecer o Economíadas, toda a correria vale a pena quando se pensa nos benefícios que um inter pode trazer. Para as atléticas, as competições significam sobrevivência. A venda dos kits das faculdades sustenta cada entidade financeiramente, enquanto os campeonatos mantêm os atletas sempre motivados, fomentando o esporte nas Universidades. “O inter é o evento do ano para todos os atletas de Economia. Para nós, da atlética, é a oportunidade de expor a cara da associação aos alunos, mantendo uma relação positiva”.



Crédito foto de capa: ECAtlética

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